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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Em Marcha!

EM MARCHA!
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Aos estudantes da Faculdade de Direito de São Paulo, 9 de Outubro de 1915.
“Ser-me-ia fácil, para agradecer a vossa carinhosa recepção, improvisar algumas frases de brilho fugaz, que morressem aqui ao nascer, música sem idéias, fútil e amável cortesia sem fundo e sem eco. Mas quis dar alguma vida, mais calor e duração as minhas palavras, e escrevi-as, para que elas, confiadas agora aos vossos ouvidos e às vossas almas, possam estender-se a ouvidos distantes e a almas afastadas, a todos os Brasileiros de vossa idade, crescendo, estudando, sonhando, dentro do imenso e inquieto coração do Brasil.

O momento não quer discursos ocos e retumbantes, sonoridades entontecedoras, rolando na esterilidade do vácuo. O que se exige agora é a simplicidade de idéias fortes em palavras claras, que, na sua dura tristeza, tenham, com a revolta, um estímulo para a esperança, para a crença e para o heroísmo. Não podeis, talvez, perceber com perfeita consciência a gravidade da nossa situação moral. Viveis numa rica metrópole, entre o sorriso e a gala da vida culta; e não podeis entrever o caos, a confusão e os perigos que enchem toda a nossa maravilhosa e inconsistente Pátria. Na juventude, tudo é graça e facilidade, espontaneidade e embevecimento: uma pureza natural, que do íntimo se transborda para o exterior em véus ilusórios, um fascínio próprio, que se espalha sobre o ambiente e embeleza o espetáculo da vida real... Mas é força que, antes do tempo devido, alguém cruelmente vos arranque da paz e do arroubo. Vede que na Europa, hoje, quando a guerra abre diariamente largos claros nas fileiras dos combatentes, os governos chama às armas as mais novas classes dos exércitos, as falanges dos adolescentes, reservas fulgentes da primavera nacional: aqui, outra desgraça, mais triste, oprime o país, e outra morte, pior, escasseia os filhos válidos, — desgraça de caráter e morte moral; e já que os varões, incapazes ou indiferentes, deixam o Brasil devastado sem guerra e caduco antes da velhice, — venham ao campo os efebos, em que o ardor sagrado contrabalance a experiência, e em que o ímpeto da fé supra a imaturidade dos anos!

Não vos deixeis deslumbrados do magnífico progresso desta cidade e deste Estado: São Paulo não é todo o Brasil; e a verdadeira grandeza de um país não é a sua riqueza. Por outro lado, não imagineis que o que me assusta seja o desconforto, a falta de dinheiro, a falta de trabalho organizado e produtivo na maior parte da união, nem o ônus formidável das dívidas oprimindo o nosso futuro. Ainda há muita ventura e dignidade nas casas em que não há muito pão; mas nada há, quando não há amor e orgulho.

O que me amedronta é a míngua de ideal que nos abate. Sem ideal, não há nobreza de alma; sem nobreza de alma, não há desinteresse; sem desinteresse, não há coesão; sem coesão, não há pátria.

Uma onda desmoralizadora de desânimo avassala todas as almas. Não há em cada alma a centelha criadora, que é a consciência da força e da bondade; e de alma para alma não há uma corrente de solidariedade, de crença comum e de entusiasmo, que congregue todo o povo em uma mesma aspiração. Hoje, a indiferença é a lei moral; o interesse próprio é o único incentivo. O «arrivismo», — hediondo estrangeirismo com que se exprime uma enfermidade ainda mais hedionda, — epidemia moral, que tende a transformar-se e a enraizar-se como endemia, envenena todo o organismo social e mata todos os germens da dedicação e da fé: cada um quer gozar e viver sozinho, e crescer, prosperar, brilhar, enriquecer depressa, seja como for, através de todas as traições, por cima de todos os escrúpulos. Assim, a comunhão desfaz-se, e transforma-se em acampamento bárbaro e mercenário, governado pelo conflito das cobiças individuais. E os políticos profissionais, pastores egoístas do rebanho tresmalhado, nada fazem para impedir a dispersão; e, quando não se aproveitam do regabofe generalizado, e quando não se locupletam, imitando a gula comum, apenas se contentam com a passiva e ridícula vaidade do mando fictício...

Esse é o espetáculo que nos deparam as classes cultas. As outras, as mais humildes camadas populares, mantidas na mais bruta ignorância, mostram só inércia, apatia, superstição, absoluta privação de consciência. Nos rudes sertões, os homens não são brasileiros, nem ao menos são verdadeiros homens: são viventes sem alma criadora e livre, como as feras, como os insetos, como as árvores. A maior extensão do território está povoada de analfabetos; a instrução primária, entregue ao poder dos governos locais, é, muitas vezes, apenas, uma das rodas da engrenagem eleitoral de campanário, um dos instrumentos da maroteira política. Quanto à instrução profissional, essa, na maior parte dos Estados da União, é um mito, uma fábula, uma ficção. Lembrai-vos que, se a escravidão foi um crime hediondo, não foi menos estúpido o crime praticado pela imprevidência e pela incapacidade dos legisladores, dando aos escravizados apenas a liberdade, sem lhes dar o ensino, o carinho, o amparo, a organização do trabalho, a habilitação material e moral para o exercício da dignidade cívica...

Que se tem feito, que se está fazendo, para a definitiva constituição da nossa nacionalidade? Nada.

Os imigrantes europeus mantém aqui a sua língua e os seus costumes. Outros idiomas e outras tradições deitam raízes, fixam-se na terra, viçam, prosperam. E a nossa língua fenece, o nosso passado apaga-se...

Há sete anos, houve um rebate ansioso e febril. Na tribuna e na imprensa, vibrou alto chamamento, um toque de alarma a todas as energias adormecidas. E uma lei apontou à nossa esperança o entreluzir de uma promessa de salvação: a lei do sorteio militar, se não a providência completa do serviço militar obrigatório, ao menos um ensaio salutar, o primeiro passo para a convalescença e para a cura. Então, como ainda hoje, eu considerava que era esse o único providencial remédio para o nosso definhamento. Nunca fui, não sou, nem serei um militarista. E não tenho medo do militarismo político. O melhor meio para combater a possível supremacia da casta militar é justamente a militarização de todos os civis: a estratocracia é impossível, quando todos os cidadãos são soldados. Que é o serviço militar generalizado? É o triunfo completo da democracia; o nivelamento das classes; a escola da ordem, da disciplina, da coesão; o laboratório da dignidade própria e do patriotismo. É a instrução primária obrigatória; é a educação cívica obrigatória; é o asseio obrigatório, a higiene obrigatória, a regeneração muscular e psíquica obrigatória. As cidades estão cheias de ociosos descalços, maltrapilhos, inimigos da carta de «abc» e do banho, — animais brutos, que de homens tem apenas a aparência e a maldade. Para esses rebotalhos da sociedade a caserna seria a salvação. A caserna é um filtro admirável, em que os homens se depuram e apuram: dela sairiam conscientes, dignos, brasileiros, esses infelizes sem consciência, sem dignidade, sem pátria, que constituem a massa amorfa e triste da nossa multidão... Mas nada se fez. O mesmo homem, o mesmo marechal, que, quando ministro da guerra, promoveu esse movimento salutar em favor da nacionalidade, — no dia em que subiu ao supremo poder foi o primeiro a esquecer a sua criação, deixando-a morta no berço. E hoje, depois de um quatriênio de lutas estéreis e de politicagem sem moral, — o problema terrível permanece sem solução: uma terra opulenta em que muita gente morre de fome, um país sem nacionalidade, uma pátria em que se não conhece o patriotismo.

Moços de São Paulo, estudantes de Direito, sede também os estudantes e os pioneiros do ideal brasileiro! Uni-vos a todos os moços e estudantes de todo o Brasil: num exército admirável, sereis os escoteiros da nossa fé!

O Brasil não padece apenas da falta de dinheiro: padece e sofre da falta de crença e de esperança. O agonizante não quer morrer: quer viver, salvar-se, reverdecer, reflorescer, rebentar em nova e fecunda frutificação. Dai-lhe os vossos braços, dai-lhe as vossas almas, dai-lhe a vossa generosidade e o vosso sacrifício! Não espereis o dia em que, deixando esta casa, iniciardes a vossa efetiva existência cívica, para o trabalho público, para a agitação social, para a política. Trabalhai, vibrai, protestai, desde já! Protestai, com o desinteresse, com a convicção, com a renúncia, com a poesia, —contra a mesquinharia, contra o egoísmo, contra o «arrivismo», contra a baixeza da indiferença!

Desta velha casa, de entre estes sagrados muros, que esplendem de tradições venerandas, deste quase secular viveiro de tribunos e de poetas, —daqui saíram, em rajadas de heroísmo, em ímpetos de entusiasmo, as duas campanhas gloriosas, que foram coroadas pela vitória da Abolição e da República. Estruja de novo a casa! Estremeçam de novo os muros! e de novo palpite e ressoe o aviário canoro, cheio de hinos de combate e de gorjeios de bondade! Inaugurai, moços de São Paulo, a nova campanha!

Perto de vós, entre vós, o começo da minha velhice, tocado da graça milagrosa da vossa mocidade, tem gomos verdes, feiticeiros rebentos de ressurreição.

Escuta e acolhe a revolta e a esperança do meu outono, ó primavera da minha terra! Em marcha vitoriosa, ó meus irmãos, para o Ideal!”

— Olavo Bilac



[OLAVO BILAC. In (OLAVO BILAC. A Defesa Nacional, Discursos. Ed. Liga da Defesa Nacional, Rio de Janeiro, 1917; Pág 3-9)]


Digitalizado por: Lucas Gustavo Boaventura Martins.

Olavo Bilac



Por Cristo e Pela Nação: Anauê!

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Tasso da Silveira e Miguel Reale: Revista Brasileira - Academia Brasileira de Letras

Revista Brasileira- Fase VII- Outubro, Novembro, Dezembro de 2004 - Ano XI- Nº41

Esta edição da Revista Brasileira, disponibilizada pela Academia Brasileira de Letras traz dois conhecidos Integralistas: Miguel Reale na Prosa, abordando Teoria do Ser e Perspectiva e Tasso da Silveira na Poesia com poesias de fato magníficas e dignas da memória.

Revista Brasileira - Academia Brasileira de Letras (Completa):


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sábado, 8 de outubro de 2016

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

A Epopéia da Planície - António Sardinha

António Maria de Sousa Sardinha foi um político e poeta português, tendo-se destacado como ensaísta e polemista. Na sua obra, afirmou-se como a principal referência doutrinária do Integralismo Lusitano. Defendia uma monarquia tradicional, orgânica, anti-parlamentar.

Para os integralistas, o municipalismo e o sindicalismo eram duas palavras-chave de um ideário político que não dispensava o Rei, entendido como o melhor garante e defensor das liberdades republicanas. António Sardinha era também anti-iberista, pois em vez da fusão dos Estados de Portugal e de Espanha, propunha uma aliança entre todos os povos hispânicos, a lançar por intermédio de uma aliança entre os dois Estados da Península, ambos reconduzidos à monarquia.

É com base nestas premissas e linha de pensamento que foram escritos os poemas da Epopeia da Planície: poemas das terra e doa sangue, um verdadeiro hino ao Alentejo.






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terça-feira, 4 de outubro de 2016

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Finalidade do Mundo - Farias Brito

Apresento-lhes Finalidade do Mundo, do grande Filósofo Nacional Raymundo de Farias Brito, Tomos 1, 2 e 3 (Completo). Posteriormente, talvez, eu divulgue também antologias destes livros.

Façam uma excelente leitura e estudo, de um dos maiores filósofos espiritualistas certamente do mundo, se não o maior, em sua época e até os dias de hoje.






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sábado, 24 de setembro de 2016

A Beleza

a beleza
A beleza, hoje, dias sombrios, é fácil e difícil de encontrar.

Paradoxo belo, para quem a conhece, mas não é tão fácil assim a conhecer, ela se esconde nas belas paisagens bucólicas que o apressado não vê, se esconde no leve vento que balança as folhas, tocando a face, como Deus acariciando sua criação, quebrando a calmaria, que o sem tato não sente, se esconde nas diversas formas, brancas ou diluviais, das nuvens que o sem imaginação não cria e nas formas tomadas pelas matérias, saídas de nossa mente, em nossas mãos.

Mas é impossível não ter pressa num mundo onde a máquina tudo manda, tudo faz, e tudo a seu tempo e nós, criadores das máquinas, que temos de nos adaptar as suas imperiosas marcações milesimais, aos seus copiosos e miméticos mandamentos, escravizando a massa ao trabalho fortuito, retirando, assim, o seu tato, deslocando-os para fora de suas naturais aptidões, eliminando, assim, a sua criatividade.  

Quem manda nas máquinas são os patrões, mas quem manda nos patrões acima de tudo é o sistema, um sistema onde se adora ao dinheiro, se adora a Mamom. O culto mamônico instaurou-se ao redor de todos nós, e em quase todos nós, as duas faces de satanás agem, uma, dentro do coração petrificado do burguês, petrificado pela sua imoralidade, pelos seus epicurismos, indiferenças e seu cosmopolitismo, a outra dentro do coração do proletário, do camponês, petrificado pela ignorância que os sistemas vigentes fizeram regra, petrificado por tentar imitar o burguês, aprendendo com este a colocar os prazeres materiais e biológicos acima das virtudes absolutas da beleza e da honestidade, acima dos prazeres espirituais.

Quem mantém este sistema é o materialismo avassalador dos homens materialistas de ação e da massa materialista estática e mórbida, massa que decide todos os rumos dos povos e da humanidade, infelizmente sempre no caminho feito pelos materialistas de ação, que as guiam por meio de seus instintos mais vis, maléficos e viciosos, vermes que corroem o cérebro da massa, lobotomizando-a e a mostrando a direção que os Donos do Mundo, por analogia à Bíblia, Satanás quer.

A beleza, nisso tudo, tornou-se retrógrada, ultrapassada, incapaz frente a velocidade produtiva da feiura.

―LUCAS GUSTAVO BOAVENTURA MARTINS

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Foto do Arquivo Pessoal - Represa de Santa Maria, Aracruz-ES
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Por Cristo e pela Pátria: Anauê!

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

O Fascismo Revisitado: Irredentismo, Autocracia e Revolução

O Fascismo Revisitado: Irredentismo, Autocracia e Revolução

Breve Ensaio sobre o Fascismo sob uma ótica menos espantada.


O presente ensaio não pretende ou espera defender o Fascismo, senão revisitá-lo sob uma análise menos preconceituosa e certamente mais positiva, tendo o caráter breve por não querer tratar, aqui, de tudo e nem se aprofundar bem em quaisquer dos assuntos, apenas desbravando novas visões sobre a palavra de ordem "Fascismo", em especial o italiano, que a tantos grandes arrebatou no século passado, com esperança e atitude.




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Por Cristo e pela Nação: Anauê!

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Mussolini, visto por Primo de Rivera

José Antonio Primo de Rivera
e
Benito Mussolini
O homem é o sistema, e esta é uma das profundas verdades humanas que volta a colocar em valor o Fascismo. Todo o século XIX se gastou em idealizar máquinas de bom governo. Tanto como propôs a máquina de pensar ou de amar. Nenhuma coisa autêntica, eterna e difícil, como é o governar, a máquina pudera fazer; sempre tem que recorrer na última hora a aquele que, desde a origem do mundo, é o único aparato capaz de dirigir os homens: o homem. Quer dizer: o chefe. O Herói.

Os inimigos do Fascismo percebem essa verdade pelo avesso e fazem seu argumento de ataque. “Sim —reconhecem—; Itália há ganhado com o fascismo; mas, e quando morrer Mussolini?”. Creem dar com isso um golpe decisivo no sistema, como se houvesse algum sistema com a eternidade garantida. E, sem embargo, é o mais provável que —quando morrer Mussolini— sobrevenha para Itália um momento de inquietação; mas um momento único; o sistema produzirá —com afloramento mais ou menos laborioso— outro chefe. E este chefe voltará a encarnar o sistema para muitos anos. Mas ele (Duce, condutor) seguirá a fé de seu povo, em comunicação de homem a homens, nessa forma de comunicação elemental, humana e eterna que vai deixando seu rastro por todos os caminhos da História.

Eu vi de perto Mussolini, uma tarde de outubro de 1933, no Palácio de Veneza, em Roma. Aquela entrevista me fez entender melhor o fascismo da Itália que a leitura de muitos livros.

Eram as seis e meia da tarde. Não havia no Palácio de Veneza, a menor indício de agitação. Na porta dois milicianos e um porteiro pacífico. Eles disseram que penetrar no Palácio onde trabalha Mussolini é mais fácil que ter acesso a qualquer Governo civil. Apenas ensinei ao porteiro o escritório que eu citei, isso me fez chegar —por grandes escadarias silenciosas— a ante-sala de Mussolini. Três ou quatro minutos depois se abriu a porta. Mussolini trabalha em um salão imenso, de mármore, sem ou escassa mobília. Lá, em um canto, no outro extremo da porta de entrada, estava atrás de sua mesa de trabalho. Se via ele de longe, só, na imensidade do salão. Com uma saudação romana e um sorriso aberto me convidou para mais perto. Avancei não sei durante quanto tempo. E, sentados nós dois, o Duce começou sua conversa comigo.

Eu o havia visto em audiência pública, anos antes, quando fui recebido com vários alunos da Universidade de Madri. À parte, como todos os habitantes do mundo, o conhecia pelos retratos: quase sempre em atitude militar, em saudação ou discurso. Mas o Duce do Palácio de Veneza era outro distinto: com prateado no cabelo, um ar sutil de cansaço, com certo elegante descuido em sua roupa civil. Não era o chefe dos discursos, mas o da maravilhosa serenidade. Falava lentamente, articulando todas as sílabas. Teve que dar uma ordem pelo telefone e a deu em tom mais tranquilo, sem por a voz no menor traço autoritário. As vezes, quando alguma de minhas palavras o surpreendia, jogava sua cabeça para trás, abria os olhos desproporcionalmente, e por um instante mostrava, rodeadas de branco, suas pupilas escuras. Outras vezes sorria com calma. Era notável sua aptidão para escutar.

Falamos coisa de meia hora. Logo me acompanhou até a porta, através do imenso salão. Não é de grande estatura; já não tem, se alguma vez a teve, a erguida postura de um chefe de milícias; antes, bem, suas costas começam a encurvar-se ligeiramente. Ao chegar nós dois a porta me disse com uma calma paternal, sem sombra de ênfases:

—Te desejo as melhores coisas, para você e para Espanha.

Logo se voltou para sua mesa, lentamente, a retomar a tarefa em silêncio. Eram as sete da tarde. Roma, acabadas as atribuições do dia, se derramava pelas ruas sob a aconchegante noite.O Corso era todo movimento e falar, como as ruas de  Alcalá por essas horas. As pessoas entravam nos cafés e nos cinematógrafos. Se dizia que só o Duce permanecia, laborioso, junto a sua lâmpada, no canto de uma imensa sala vazia, velando por seu povo, pela Itália, a que escutava palpitar desde ali como a uma filha pequena.

Que aparato de governar, que sistema de pesos e balanças, conselhos e assembleias, pode substituir a essa imagem do Herói feito Padre, que vigia junto a uma luzinha perene o desejo e o descanso de seu povo?
—JOSÉ ANTONIO PRIMO DE RIVERA


Il Fondatore Dell'Impero, Gerardo Dottori (1936)




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Digitalizado e traduzido para Português por: Lucas Gustavo Boaventura Martins.
(Perdoem-me, eventuais erros.)


Retirado de: [MUSSOLINI, Benito. El Fascismo. Su doctrina, fundamentos y normas legislativas en el orden sindical corporativo, económico y político. Prólogo y Epílogo de José Antonio Primo de Rivera y Julio Ruiz de Alda. Versión española por V.P.S. Ed. Librería de San Martín, 6,Puerta Del Sol,6, Madrid. Pág's 11-14]

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*Para fins de Estudo. Sou Integralista e bem sei que o Integralismo não é Fascismo e nem defende o Estado Totalitário, apresentar o Fascismo, mesmo sobre visões que o positivem é uma forma de Estudo e, dá base para citações que o diferenciem do Integralismo e dos aspectos filosóficos que são nossas bases.

Por Cristo e pela Nação: Anauê!

sexta-feira, 15 de julho de 2016

O Integralismo Lusitano - Leão Ramos Ascensão

“Quer-se um regime para portugueses e é no estudo da índole e do génio próprio da Grei, é na lição da experiência do Passado e não em ideologias abstractas, é, portanto, com bases firmes que se há-de construir o edifício nacional. A experiência é condição de progresso e de enriquecimento colectivo. A Nação, por outro lado, não é constituída só pelos portugueses de hoje. Repelir a Tradição o mesmo será que negar a obra de constituição da nacionalidade e de engrandecimento territorial e esquecer ingratamente todos os esforços e sacrifícios das gerações que nos antecederam para que Portugal fosse mais próspero, mais forte, mais feliz. Negar ou renegar o Passado nacional equivale a pretender que voltemos ao remoto século XII, ao condado portucalense, dependente da estranha soberania. O respeito à Tradição é condição de continuidade e evita as aventuras, os passos em falso, os saltos no desconhecido.
Para o Integralismo, a Nação é uma grande família perpetuada no tempo pela comunhão de afectos, de sofrimentos e alegrias, de dores e de esperanças, na comovida lembrança dos Mortos e na ânsia de transmitir aos vindouros, engrandecida, a herança dos Antepassados. A Democracia individualista, desconhecendo a família instituição social e caminhando progressivamente para o amor livre que animalizaria a humanidade, não pode compreender isto. Tem de compreendê-lo, porém, quem vê na doce disciplina familiar uma condição indispensável de vida material e de elevação espiritual. Desprendido dos laços da família, o homem torna-se como a folha seca desprendida da árvore — que lhe dá a seiva e a vida — e arrastada pelo vento, sem destino, sem norte, até se desfazer em pó.”

[ASCENSÃO, Leão Ramos. O Integralismo Lusitano. Versão digital da Edição de 1943 das «Edições Gama», pela causanacional.net . Pág's 67-68]


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DEUS-PÁTRIA-FAMÍLIA

terça-feira, 5 de julho de 2016

Para onde vai o Brasil? Trecho de Plínio Salgado


Para onde vai o Brasil? Gilberto Amado [Renascença Editora]


Digitalização de parte de antigo livro, onde, ainda no início de sua campanha pela AIB (Acção Integralista Brasileira) Plínio Salgado fala, prevendo, do futuro crescimento dela que, com fé, se repetirá nos dias de hoje, para a honra e glória de nosso Senhor Jesus, O Cristo.





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Digitalização por: Lucas Gustavo Boaventura Martins

Fonte: http://historia-do-prp.blogspot.com.br/2015/04/para-onde-vai-o-brasil-segundo-plinio.html

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Panfleto da Frente Negra Brasileira, por Arlindo Veiga dos Santos

MEUS IRMÃOS NEGROS!
VIVA A RAÇA!
Volto a falar-vos, meus irmãos Negros, meus irmãos Frentenegrinos, por ver que mais uma vez o vosso nome de Negros que é uma bandeira de glória dentro do Brasil entra a ser explorado por aqueles que, vendo em vossa força de amor e de nacionalismo uma bandeira para ambições pessoais, querem fazer-vos instrumentos de ascensão no campo político e talvez econômico e, vendo nos verdadeiros trabalhadores da Causa um empecilho para suas inconfessáveis segundas intenções, desejam afastar da direção a esses homens operosos que mourejam a bem de vós, como tendes visto, seguido e observado, se não pertenceis aos grupos esquineiros que conversam fiado mas não resolvem nada, criticam mas não constroem.
Negros Frentenegrinos!
Não vos sujeiteis novamente a ser capachos de ambiciosos, ou capangas braçais ou intelectuais, pois já sofrestes demais com as explorações partidárias dos que somente desejam a vossa força (como nos ominosos tempos da República Velha) para as horas amargas e vos afastaram sempre das horas de alegria e da vitória. Não permitirá mais tal esbulho, tal miséria, tal infâmia, a legião pequenina, porém destemorosa dos que atualmente dirigem a FRENTE NEGRA BRASILEIRA, trabalhando sem vaidade, sem fitos interesseiros, sem paga outra que não seja a vossa felicidade que é a felicidade de todos nós, membros pobres, mas gloriosos da gloriosa Gente Negra Brasileira, honra do nosso Brasil.
Negros Patrícios!
Não vos submetais aos que vos querem vender qual mercadoria fácil e indefesa.
Somos hoje, graças a Deus, independentes e livres dentro da nova ordem de coisas estabelecida pela Revolução de Outubro.
Quando demos apoio à Ditadura, ao Exército Nacional na pessoa do Sr. General Góes Monteiro e quando apoiamos o programa do Clube 3 de Outubro, não foi, não, para sermos de novo escravos como desejam alguns que nos querem coarctar a liberdade, que nos querem vender aos interesses particulares: foi porque vimos que a Nação estava ameaçada pela voracidade dos partidistas ambiciosos, dos separatistas e bairristas e também dos internacionalistas, inimigos da Unidade da Pátria que é em suma parte obra dos Nossos Avós Africanos e Bugres, inimigos esses que acodem pelo nome nefando e criminoso de comunistas, quase todos estrangeiros, cujo jugo altiva e violentamente repelimos, quer se escondam sob o manto de “salvadores” dos operários cosmopolitas, quer se esgarcem sob o título suspeito de amigos de lutas... de classes.
Gente Negra!
Os Negros que se arregimentam debaixo da bandeira da F.N.B. não estão com ninguém se nos quiserem explorar! Não! Os Frentenegrinos verdadeiros estão com o Brasil, e só por ele se justifica e justificará qualquer aliança que haja de haver de nós com os outros nossos Patrícios.
Tudo quanto se diga contra nós é mero pretexto para nos impugnar esta atitude que nem todos tem a coragem de tomar. Invente-se, calunie-se, aumente-se com o telescópio infame a leveza dos nossos pecados (se é que os temos). Intrigue-se, mas nunca se esqueça de acrescentar as verdadeiras razões por que essas invenções, essas calúnias, essas intrigas se assoalham!
Negros de S. Paulo! Negros do Brasil!
Vós que trabalhais conosco e que estais todos os dias em nossa sede central e seguis passo a passo o nosso incansável labor, alerta contra os patrícios indignos  despeitados e que vivem apregoando prestígio em vosso nome quando nem convivem convosco, nem sabe as dores que me contais, que nos contais todos os dias. Vinde ver de perto a nossa obra se a desconheceis. E, se a não ignorais, fazei justiça aos justos e aos injustos.
São Paulo, 4-5-1932
Arlindo Veiga dos Santos

Presidente Geral da F.N.B


Panfleto Original




Arlindo Veiga dos Santos, também fundador da Ação Imperial Patrianovista Brasileira.

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Digitalizado por: Lucas Gustavo Boaventura Martins

Fonte: http://www.usp.br/proin/inventario/detalhe-panfleto.php?idPanfleto=49

Por Cristo e Pela Nação: Anauê!

domingo, 19 de junho de 2016

A Divisão Territorial Portuguesa - Luís Chaves

Livro que aborda, brevemente, a divisão territorial portuguesa sob o olhar da Acção Realista Portuguesa, publicado em partes nas suas revistas e agora compilado:



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sábado, 18 de junho de 2016

Acção Realista Portuguesa - Revistas Quinzenais e Mensais, Anos I, II e III

A Acção Realista Portuguesa foi uma instituição monárquica Portuguesa "derivada" do Integralismo Lusitano, pouco conhecida no meio da “Terza via”, obrou por um Portugal melhor, obediente a El-Rei.

Suas revistas são excelentes fontes de conhecimento ainda nos dias de hoje, não só quanto a defesa da Verdadeira Monarquia, a Monarquia Orgânica, como do Corporativismo.




Segue o Link para fazer o download de suas intrigantes e excelentes revistas: 


quinta-feira, 16 de junho de 2016

Mensagem da Acção Realista Portuguesa a Sua Majestade El-Rei

Mensagem da Acção Realista Portuguesa a S.M. El-Rei




Esta Mensagem que a Ação Realista Portuguesa enviou a El-Rei, num momento indeciso da Causa Monárquica, é um documento de coragem honesta e desassombrada. Ficará na história política do nosso tempo como a afirmação energética duma idéia nacional que tendo como único objetivo o interesse da pátria, não hesita, não quebra, não emudece, mas segue para a frente, dominadora e irresistível.
Houve pessoas graves que censuraram o nosso ato, como se nós tivéssemos cometido uma irreverência. Julgaram-nos rebeldes, insolentes, insensatos. O interesse que essa Mensagem produziu atemorizou-as... E de ombros encolhidos, num desânimo taciturno, essas pessoas pacatas foram lamentar-se para o cavaco ameno da esquina e do serão familiar...
Que queríamos nós? Que queremos nós?
Que as palavras do Rei sejam respeitadas e as suas ordens obedecidas. Que a autoridade do Rei seja restaurada em toda a sua plenitude, de acordo com a Nação livre, desintoxicada dos venenos liberais e parlamentares.
Que a Causa Monárquica, como causa nacional, siga a expressão política da revolta e da vitalidade desperta do país.
Esta Mensagem ficará a marcar uma época. É um documento que interessa o país porque revela a luta de idéias para restabelecer o verdadeiro conceito de Soberania e de Nação. Sinal desse combate de doutrinas, no seu acento firme e energético podemos auscultar a marcha vitoriosa duma idéia que já hoje se transformou numa força animadora, numa energia profunda de revolta.
Publicamo-la num momento decisivo para a Nação. As razões da nossa existência coletiva estão agora lucidamente projetadas.
A ditadura atual parece, antes de tudo, um exame de consciência. Mas que esse exame seja acompanhado pela serena análise da Inteligência, que esclarece e ilumina.
A necessidade da Monarquia impõe se ao interesse nacional. Mas os próprios fatos políticos encarregaram-se de colocar o problema monárquico no seu verdadeiro prisma. Que Monarquia poderá resgatar Portugal? A democrática, com caciques e parlamento, com partidos e a anarquia política e econômica? Essa está condenada e acompanha ao seu túmulo a república parlamentar.
A Monarquia, que o país espera, é aquela que possa unificar e disciplinar e construir novos quadros em que se integrem, numa vitalidade fecunda, todas as forças nacionais, que o parlamentarismo inutiliza e desconhece.
Eis por que esta Mensagem tem neste momento uma eloquente atualidade.


SENHOR!

Absoluta e inalteravelmente fiel a Vossa Majestade, a Quem tem servido e a Quem está servindo, neste momento, com a maior lealdade, a Ação Realista Portuguesa, tendo estudado atentamente todas as circunstâncias que cercam e caracterizam a situação da Causa que Vossa Majestade representa, entendeu do seu dever falar a Vossa Majestade, de modo que todos ouçam, porque o problema interessa profundamente e superiormente à Nação inteira.
Estão, neste momento, em jogo, o prestígio e a autoridade de Vossa Majestade.
A Ação Realista Portuguesa que, porque é realista, tem o culto do princípio da Realeza, vem colocar-se toda unida e inspirada pelos mesmos sentimentos de devotamento e sacrifício ao lado do Rei, para que este, na hora torva de lutas inconfessáveis que atravessamos, veja que não está sozinho, e pelo que nos diz respeito, é mesmo Rei livre e magnificamente integrado no Interesse nacional.
Nós batemo-nos por princípios — pelo princípio monárquico na sua máxima pureza e na sua plena integralidade. E porque Vossa Majestade, tão irrepreensivelmente representa e consubstancia esse princípio, nós batemo-nos pelo Rei, e aqui estamos a afirmar-Lhe a nossa incondicional solidariedade, estranhos a quaisquer considerações que não sejam as sagradas e legítimas considerações do Prestígio da Realeza, da Autoridade do Rei e do Interesse da Pátria.
As coisas são o que são, e não o que nós queremos que elas sejam. As realidades valem mais do que as palavras e do que as afirmações.
Ora a realidade, a triste realidade, é que a chamada Causa monárquica era apenas uma tabuleta, um rótulo a abrigar uma mistura inconvertível de monárquicos e de não-monárquicos. Sob a veste ilusória da Unidade da Causa, viviam os sentimentos mais opostos, as opiniões mais irredutíveis. Caminhava-se às cegas, numa noite profunda, para um futuro de trevas. Caminhava-se para uma restauração, que seria apenas um golpe de audácia a abrir um espaço totalmente vazio, a iniciar uma era cheia de dúvidas interrogações e mistérios. Ia se arrastar a Nação para uma aventura envolvida em bruma, da qual ninguém sabia o que sairia, a não ser esta palavra vaga que nada significa: a Restauração. Espalhava-se por toda a parte a teoria insensata de se caçar primeiro o urso — como se a Restauração da Monarquia fosse um incidente desportivo.
Caçar primeiro o urso... E depois? Depois cairíamos uns sobre os outros, a procura cada um de nós dos nossos destinos, tratando de descobrir o melhor meio de salvar a Pátria. Devia ser bonito e edificante o espetáculo! Que se diria do General em chefe que desencadeasse a batalha, antes de ter elaborado o plano das operações? Que se diria do cirurgião que abrisse o corpo doente, antes de saber o que havia de fazer? Caçar primeiro o urso, isto é, destituir o regime republicano, antes de se saber o em que consistiria a Monarquia proclamada, era atirar o país para um abismo sem fundo.
Essa situação, conveniente aos que são monárquicos por birra ou por incompatibilidade com os republicanos, era irremediavelmente nefasta à Nação e a Vossa Majestade. Nós não somos monárquicos por despeito, nem por incompatibilidade com os republicanos. Nós somos monárquicos, porque o interesse nacional impõe a Realeza, porque esta serve, como nenhuma outra forma de governo o interesse da Nação. Nós somos monárquicos, porque, enquanto a República é o regime dos partidos, a Monarquia é o regime da Nação. Por isso nós nunca vimos com prazer essa situação da chamada Causa monárquica que vivia consagrando oficialmente o princípio perigoso da ausência legítima de idéias, quanto ao futuro da Monarquia.
Vossa Majestade, na compreensão magnífica das suas altíssimas funções, na consciência plena das suas responsabilidades perante a história, no propósito evidente de afirmar a sua vontade e na decisão admirável de nos conduzir, reconheceu o perigo da situação, viu o cataclismo para que se caminhava, a aventura misteriosa que se nos abria diante dos pés, e falou as palavras audazes e fortes, não como Rei Constitucional, simples chancela de leis e decretos, simples figurante inerte duma comparsaria inútil— mas como Rei livre, cônscio do seu dever, senhor de suas ações, e Chefe, não de um Estado inorgânico, mas de uma Nação hierarquizada.
Falou, e todos nós O ouvimos.
No campo republicano, foi o clamor estrepitante de cólera. No campo monárquico, houve imediatamente, a par de aplauso febril e entusiasta de uns, a reserva, a frieza, a dúvida, o espanto, o mau humor de outros.
Todos aqueles que anseiam por uma Monarquia integralmente católica, integralmente monárquica, e integralmente nacionalista, aplaudiram calorosamente as palavras de Vossa Majestade. Todo esses aclamaram o Rei, porque sentiram que a mão de Vossa Majestade os conduzia à vitória. Mas aqueles que, envenenados pelo liberalismo corruptor e desorganizador, sonham ainda a Monarquia da Igreja serventuária do Estado, e elemento de galopinagem eleitoral, a Monarquia do Rei servo dos partidos e das facções e das conjuras dos corredores parlamentares, alvo preciso das objurgatórias insolentes dos tribunos do Parlamento, a Monarquia inspirada ocultamente pelo Maçonismo internacionalista — esses começaram logo por exigir que as palavras de Vossa Majestade não viessem todas a público, e que o Pensamento de Vossa Majestade fosse amputado ou disfarçado.
Porque o exigiram, Senhor!
E exigiram-no, ameaçando! Exigiram-no, impondo a sua influência de caciques ou a sua bolsa de argentários! Exigiram-no faltando ao respeito ao Rei, censurando o Pensamento do Rei, permitindo-se a louca suposição de que interpretam melhor o interesse nacional, do que Vossa Majestade!
O Lugar-Tenente de Vossa Majestade, que tão admiravelmente cumpriu nesta conjuntura, sem traís, o Pensamento do seu Rei, sem desobedecer às instruções que Vossa Majestade lhe dava, fez quanto possível por acalmar as impertinências revoltantes dos que assim procediam, e suprimiu da Mensagem de Vossa Majestade duas ou três expressões mais características, que os partidários do Liberalismo consideravam ofensivas da sua sensibilidade.
Perante esse fato, a Ação Realista Portuguesa protestou junto do Lugar-Tenente de Vossa Majestade, sendo informada, nesse momento, dos seus propósitos de publicar um artigo interpretativo do Pensamento Régio, o que efetivamente fez, e no qual afirmava às gerações novas de Portugal que a Monarquia que El-Rei preconizava, era a Monarquia dos seus sonhos.
O órgão oficioso da Causa Monárquica manteve o mais absoluto silêncio, quer em relação à Mensagem de Vossa Majestade, quer em relação ao artigo do Lugar-Tenente. De jornais republicanos, caíam sobre Vossa Majestade críticas, censuras e calúnias. E o órgão oficioso da Causa monárquica não tinha uma palavra em defesa de El-Rei, nem uma letra, nem uma vírgula! Jornais monárquicos deturpavam claramente o Pensamento de Vossa Majestade. E o órgão oficioso da Causa — mudo e quedo.
Diante desse espetáculo degradante, a Ação Realista Portuguesa declarou ao Lugar-Tenente de Vossa Majestade, que ou a situação se modificava ou ela abandonava os seus lugares no Conselho Político. O Lugar-Tenente de Vossa Majestade abriu então as colunas do Correio da Manhã á colaboração da Ação Realista, para a defesa e comentário da Mensagem de Vossa Majestade confirmando o verdadeiro pensamento de El-Rei. Ante as declarações e instruções peremptórias do Lugar-Tenente, convocou-se a reunião extraordinária do Conselho Político, para que ele tomasse conhecimento daquilo a que se chamava a «nova orientação da Causa monárquica», encarrega-se mesmo o leader da Câmara dos Deputados de participar aos seus parlamentares essa «nova orientação.»
Entretanto a Ação Realista Portuguesa publicava no Correio da Manhã, e sob a sanção do Lugar-Tenente de Vossa Majestade, três artigs defendendo El-Rei, e exaltando a sua Mensagem. Esses três artigos eram uma espécie de prefácio à série projetada, e autorizada por Quem de direito, de comentário minucioso a cada um dos passos fundamentais da Mensagem de 27 de Fevereiro.
O fato de o Correio da Manhã estar publicando artigos em defesa de Vossa Majestade despertou mais ainda os arraiais monárquicos. E surge a reunião extraordinária do Conselho Político, convocada para que este tomasse conhecimento da «nova orientação» da Causa Monárquica.
Porque cumpre, Senhor, nunca esquecer que o Conselho Político foi convocado extraordinariamente para tomar conhecimento daquilo a que se chamava a «nova orientação» da Causa Monárquica, tal como a definira o Lugar-Tenente de Vossa Majestade, nas instruções que dava para que a Ação Realista defendesse e comentasse a Mensagem régia, e nas expressões que empregara na sessão da Comissão Executiva de que saiu o pedido de convocação do referido Conselho. A Ação Realista constatou, logo de entrada, porém, que se fora convocado para tomar conhecimento da «nova orientação» da Causa Monárquica, o Conselho estava reunido para fins muito diversos dos que tinham provocado o pedido de convocação.
A Ação Realista viu que a maioria do Conselho era constituída, não por monárquicos que sabem o que seja ser monárquico, mas por monárquicos deficientes que entendem que o Rei deve obedecer aos seus caprichos, às suas impertinências, às suas vaidades e aos seus interesses! A Acção Realista ouviu expressões e conceitos que a habilitam a dizer a Vossa Majestade, com dor e franqueza, que com aqueles monárquicos, antes o exílio com as negras saudades da Pátria, para que não lhe aconteça, Senhor, vir encontrar na Pátria amarguíssimas saudades do exílio...
A Ação Realista, inteiramente disciplinada em volta do Rei, fazendo muralha em redor de Vossa Majestade, absolutamente integrada no espírito da Mensagem de 27 de Fevereiro, e fielmente obediente ao Pensamento que essa Mensagem traduz, não quere ser solidária, Senhor, e não o é com a decisão grave do Conselho Superior da Política monárquica de 27 de Março, constante do número 2 da moção lá aprovada, porque essa decisão, além de constituir a reprovação da atitude do Lugar-Tenente efetivo de Vossa Majestade, traduz insofismavelmente o repúdio do Pensamento de El-Rei, e da doutrina da Sua Mensagem.
Sob a redação, aparentemente inofensiva, desse número 2 da moção que proclama a «mais estrita neutralidade do órgão oficioso da Causa em relação à doutrina de cada uma» das correntes doutrinárias nela existentes, está a punhalada covarde, com que o Liberalismo da Causa Monárquica feriu a magnífica Mensagem de El-Rei.
Todo o Prestígio de Vossa Majestade se afunda, sob as palavras dessa resolução. Toda a Autoridade Pessoal e Real de Vossa majestade é desfeiteada pelos propósitos, que animaram essa resolução.
A Ação Realista Portuguesa tentou evitar o escândalo e o ultrage. Chamou a atenção do Conselho para o que significava aquela reolução arbitrária.
Propôs que se adiassem os trabalhos do Conselho para quando estivesse presente o Lugar-Tenente efetivo. Tudo foi vão. O Liberalismo monárquico estava com pressa. Parecia que a sua preocupação consistia em dar satisfação às reclamações dos órgãos republicanos, e aos apetites dos galopins de eleições.
Não hesitou, portanto, em levar a sua avante, contra as observações e o voto da Ação Realista Portuguesa.
Nessa memorável e tristíssima sessão do Conselho Político, de 27 de março, só a Ação Realista Portuguesa votou por El-Rei, só ela foi fiel a El-Rei, só ela se manteve obediente ao Pensamento e à Doutrina de El-Rei. Tudo o mais prestou homenagem a princípios revolucionários que o maçonismo protege e de que a República é a consagração oficial. Nestas condições, a Causa monárquica, Senhor, é apenas Vossa Majestade, com a sua Mensagem de 27 de Fevereiro, tal como foi lida, com o seu Pensamento, tal como foi nela formulado, com as suas Aspirações, tal como estão nela definidas, e a Ação Realista Portuguesa, como todos os monárquicos absolutamente integrados no Pensamento, na Doutrina e nas Aspirações de Vossa Majestade. Entre Vossa Majestade e a Ação Realista Portuguesa, só há a distância que vai do Rei aos súditos e do Chefe aos soldados. De resto somos, pelo Pensamento, pela Doutrina e pelas Aspirações, um só Espírito e uma só Vontade. O que Vossa Majestade pensa, pensamo-lo nós; o que vossa Majestade quere é o que nós queremos!
E, porque assim é, aqui estamos, Senhor, a denunciar a mentira da chamada Causa Monárquica, não em segredo, ao ouvido de Vossa Majestade, como se praticássemos um ato censurável, mas diante do país inteiro, para que o país inteiro julgue os acontecimentos, e faça inteira justiça ao altíssimo critério de Vossa Majestade. Nesta atitude desassombrada de dedicação incondicional a Vossa Majestade, nós prestamos um inegável serviço à Nação, porque desmascaramos aqueles que, à sombra de Vossa Majestade, andavam tecendo uma nova obra de discórdia e desgraça.
Rompemos com esta franqueza e esta clareza, as hostilidades, desligamo-nos, por completo, de qualquer cooperação com o Conselho Político da Causa, prescindimos da colaboração que nos foi oferecida no Correio da Manhã, pois no-la condicionavam, não nos deixando exaltar e comentar a Mensagem de Vossa Majestade, — porque não somos solidários com adversários de El-Rei, com aqueles que querem sobrepôr-se ao Rei, e pretendem que Vossa Majestade seja um frágil manequim nas suas mãos e sirva suas ambições.
Com monárquicos que ainda estão na fase primitiva e caquética do Rei primeiro funcionário público de seu país, do Rei poder moderador, e quejandas sensaborias mofosas, e que ainda por cima se permitem o desejo de tutelar El-Rei, de julgar o Seu Pensamento, e de opôr reservas à Sua Doutrina — não, não e não!
Sós com El-Rei, ficamos muito bem. Se ficássemos com eles, ficávamos muito mal!
Pretendem eles justificar a sua atitude, afirmando que o Rei é Rei de todos os monárquicos, e não pode e não deve, portanto, ter idéias e doutrinas, pois que as doutrinas e idéias dos monárquicos de que é Rei, não são uniformes. Argumento infantil, para não lhe chamarmos pior, e que revela bem os estragos que, na inteligência, fez o cancro liberalista. Se o argumento fosse de receber, Vossa Majestade nem monárquico devia ou podia ser. Se Vossa Majestade é Rei de todos os portugueses, e se nos portugueses há, pelo menos, monárquicos e republicanos, Vossa Majestade, não pode ser monárquico, porque é colocar-Se contra os republicanos. Mas, se Vossa Majestade pode ser Monárquico, sem que isso o iniba de ser Rei de todos os portugueses, porque não há de Vossa Majestade poder ser o Rei, que a sua Mensagem revela, sem que isso o impeça de ser Rei de todos os monárquicos?
Ah! Senhor! Temos a impressão de que essa Monarquia Liberalista, que abriu os túmulos, que encerram os cadáveres de El-Rei D. Carlos e do Príncipe Real, e levou Vossa Majestade para o exílio, não aprendeu nada com estes quinze anos de calvário republicano. É ainda a mesma, com as suas ameaças, com as suas conjuras, com as suas vaidades tolas e com as suas inépcias vaidosas.
Mais do que nunca, nós sentimos o orgulho forte de nada querermos com ela. E aos homens, que querem restaurá-la sob qualquer disfarce que nos exibam, nós consideramo-los tão adversários de Vossa Majestade como os partidários do regime republicano.
Porque se, até 27 de Fevereiro, a Causa Monárquica, pela ausência duma Doutrina e de um Pensamento, era uma entidade amorfa, gelatinosa, capaz de todas as formas,  desde o dia 27 de Fevereiro passou a ser alto de mais alto, de mais belo, de mais fecundo e de mais altivo: passou a ser uma idéia. Da palavra vã — Monarquia, passou a ser a expressão viva e vigorosa — Monarquia Nova, Católica, Tradicionalista.
Antes de 27 de Fevereiro, a pergunta de todas as bocas — que quere a Monarquia? Só era lícita uma resposta: o Poder. Depois de 27 de Fevereiro, essa pergunta só uma resposta comporta: salvar a Nação!
E Vossa Majestade, que tão profundamente alterou a situação da Causa Monárquica, transformando-a duma coisa apática e antipática num organismo cheio de vida e de futuro, em vez de encontrar à sua volta, numa aclamação unânime, todos os monárquicos, — que vê, Senhor?
Vê nos a nós, rodeando-O e aplaudindo-O e vê os representantes do Liberalismo, os defensores do Constitucionalismo, erguidos contra Vossa Majestade tentando, primeiro, ocultar o seu Pensamento, procurando, depois desvirtuá-lo, e, por fim, chegando ao cúmulo de o condenar.
Não! Senhor! Nós somos contra o Conselho Político — e por Vossa Majestade! Nós somos contra o Liberalismo Monárquico — e por Vossa Majestade! Nós somos contra os influentes eleitorais — e por Vossa Majestade! Nós somos contra os censores do Pensamento de El-Rei e por Vossa Majestade! Nós somos contra tudo que cerceie o livre procedimento de Vossa Majestade e embarace o seu Pensamento, e desvirtue a sua Doutrina e abafe a sua Mensagem de 27 de Fevereiro — porque somos por El-Rei Livre —livre como Rei e livre como Chefe!
Essa Mensagem, Senhor, é a Carta de Alforria do Pensamento Monárquico. Vivia este escravizado a fórmulas, a mentiras, a preconceitos, a superstições e habilidades. A medo se manifestava. Hesitante se afirmava. Mas Vossa Majestade, com a sua Mensagem, quebrou as cadeias, que prendiam, ergueu-o do ergástulo nefando em que ele jazia, trouxe-o para a luz do sol, para o ar vivificador, e para Vida, e para a Luta, e disse-lhe, com a Sua suprema autoridade de Rei: caminha!
E hoje, Senhor, o Pensamento Monárquico, livre, segue o seu caminho, impetuosamente, devastadoramente, como a corrente avassaladora dos grandes rios. Nada o deterá já, Senhor, nada! O Pensamento Monárquico, liberto pelas mãos augustas de Vossa Majestade, segue avante à conquista do futuro. É o Pensamento de Vossa Majestade que o ampara; é a Mensagem de Vossa Majestade que lhe serve de estandarte animador...
E agora?
O Lugar-Tenente de Vossa Majestade o disse: — «é andar para diante. O caminho está traçado.»
Abrindo os braços a todos os que respeitem o Pensamento de Vossa Majestade, e nele se integrem, venham donde vierem — encaremos o futuro. Percamos o amor aos Inúteis e aos Cadáveres. Deixemos ficar os primeiros na contemplação espasmódica da sua própria sombra, arrumemos os segundos à beira da estrada, para que neles não tropecem as gerações que chegam, ansiosos de vida e de vitória. Desembaraçado de uns de outros, Vossa Majestade tem toda a força para realizar a Unidade Integral da Monarquia, proclamando sua Alteza Real o Senhor D. Duarte Nuno, Herdeiro Presuntivo da Coroa, encerrando dess'arte, o ciclo de desarmonia que o século dezenove abriu. Bem sabemos nós quão intimamente e sinceramente Vossa Majestade deseja a concórdia dinástica, e quão incansavelmente se tem dedicado a cimentá-la em  bases indestrutíveis. Realizada a Unidade Dinástica, a Unidade Monárquica é uma realidade insofismável, porque o Pensamento de Vossa Majestade é a síntese perfeita das aspirações nacionalistas de Portugal.
Condenando a Democracia, confirmando a falência do Sistema Parlamentar, baseado no Sufrágio Universal e no voto político, manifestando que só o escrúpulo da sua consciência de católico prende Vossa Majestade à Carta Constitucional, dirigindo-se aos Novos, cujas aspirações Vossa Majestade muito bem conhece, e precisando as bases da Monarquia futura, Vossa Majestade oferece-nos, em substituição da Monarquia falsificada, da Monarquia republicana, da Monarquia de origem estrangeira do regime liberal — a pura Monarquia portuguesa, a Monarquia Nova, Católica, Tradicionalista, a Monarquia dos Municípios e dos Sindicatos, das liberdades corporativas e das franquias locais — quer dizer, a Monarquia orgânica, antiparlamentar, autoritária, do poder Pessoal do Rei e das Cortes Gerais Tradicionais da Nação.
E para essa Monarquia, Senhor, em que Rei reina e governa como, em sete séculos da história de Portugal, reinaram e governaram os Reis de Portugal, para essa Monarquia isenta do Pecado Liberal, fonte da anarquia em que o País hoje se debate, para essa Monarquia que Vossa Majestade preconiza, e que constitui o seu ideal de Rei — para essa Monarquia, Senhor, as gerações novas caminham, certas dos seus passos, e firmes na sua resolução, obedecendo à voz dos Antepassados, e honrando a memória dos que, nestes quinze anos, tem caído na luta em sacrifício generoso.
Há que resgatar Portugal do cativeiro, libertando-o do poder do Demônio, e restituindo-o ao poder de Deus, salvando-o da tirania bruta do Número, e entregando-o à direção responsável das Competências. Ninguém melhor do que Vossa Majestade conhece e interpreta o Interesse Nacional. As suas palavras, as palavras da sua Mensagem de 27 de Fevereiro, são a chave do nosso futuro, e a voz de comando da nossa batalha. Portanto, será Vossa Majestade quem nos conduzirá a essa hora bendita do resgate de Portugal.
A Ação Realista Portuguesa fez-se para servir o Rei e para lutar. Não é um partido que aspira o poder, que a era dos partidos políticos passou. É uma das expressões da grande corrente doutrinária, que empolgou a inteligência moça de Portugal, e a salvou dos erros negativistas e dos preconceitos revolucionários das gerações que as precederam.
Ela fez-se para servir o Rei e para lutar. Temos servido Vossa Majestade, conforme temos podido e temos sabido, sem uma deslealdade, sem um esmorecimento da nossa fé. E temos lutado incansavelmente, mais, as vezes, do que podemos.
É ainda para servir Vossa Majestade que aqui estamos a falar-Lhe sem palavras obscuras, sem pensamentos reservados. E é para lutar que nos declaramos unidos à volta de Vossa Majestade.
Cremos em Deus. Cremos no Rei. Cremos na Pátria. Mas em Deus livre, no Rei livre, na Pátria livre.
Com a ajuda de Deus, venceremos. Porque temos fé em que Deus não queira o sacrifício eterno de Portugal. Venceremos, contra todos os inimigos do Bem Comum, contra todos os adversários do Interesse nacional, porque a volta do Rei, obedecendo ao Rei, servindo o Rei, nós servimos Deus e servimos a Pátria!
Neste dia, Senhor, ao repicar festivo dos sinos, ao esvoaçar leve e branco das pombas, ao cair doce das rosas, ao cantar argentino das vozes inocentes, caem os véus roxos dos altares, enchem-se de vagas de luz as naves dos templos, as mãos erguem-se fervorosas, numa prece, para os Céus, os olhos enchem-se de alegria, de lágrimas abençoadas, e todo o orbe católico brada:
— Aleluia! Aleluia!
Depois do pesadelo da Penitência, da Paixão e do Sacrifício é a Vida que recomeça entra cânticos e flores.
Que nos seja propício este dia, Senhor! Que ele proteja as nossas palavras! que Vossa Majestade, reconhecendo as intenções puríssimas do nosso Ato, não oponha dúvidas ao oferecimento do nosso serviço! Porque, na hora máxima do sacrifício, e da hora sem igual do exercício da Vontade Real, Vossa Majestade só encontrará ao Seu lado aqueles que, como nós, entendem que só conduzem à vitória os Chefes a quem se obedece, e não os Chefes que se discutem.
E agora, Senhor, para glória de Portugal, aqui estamos, lealmente e fielmente às ordens de Vossa Majestade que é o nosso Rei e o nosso Chefe, nós que somos seus soldados obedientes e disciplinados!
Beijamos muito respeitosamente as mãos de Vossa Majestade.


Sábado de Aleluia, 3 de Abril de 1926

PELA AÇÃO REALISTA PORTUGUESA



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Fonte: Revista Acção Realista Portuguesa, Nº 32 — 4 Da 3º Série; ANO III, Outubro de 1926.
Autor não especificado, fala-se em nome do movimento, assina a Acção Realista Portuguesa.
Diretor Interino da Revista: João Ameal.

Digitalização: Lucas Gustavo Boaventura Martins.

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