Por Cristo, pela Família e Pela Pátria: Anauê!
“A 8 de março de 1500 notava-se grande alvoroço no Tejo. Era domingo. Estava a zarpar uma armada, a maior até então saída de portos portugueses...” -- Capistrano de Abreu
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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016
Factos do Espírito Humano - Domingos José Gonçalves Magalhães
Interessantíssimo livro do Visconde do Araguaia, um dos primeiros tratando de filosofia publicado por brasileiros.
quarta-feira, 30 de novembro de 2016
Para fora do opróbrio: O caminho de uma nação para o Cristo
O presente texto, que pretende ser simples e breve, foi publicado, primeiramente, em meu facebook pessoal, posteriormente na página oficial da Frente Integralista Brasileira na mesma rede social e agora por aqui... espero que seja uma leitura agradável.
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“Se pretendêssemos explicar por meios puramente humanos o princípio da sociedade e da civilização, além dos laços naturais da família, primeiro germe da associação, mas não da civilização, o acharíamos na poesia religiosa; e nos poetas os primeiros legisladores, os primeiros filósofos, os primeiros hierofantes e civilizadores do gênero humano.”
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“Se pretendêssemos explicar por meios puramente humanos o princípio da sociedade e da civilização, além dos laços naturais da família, primeiro germe da associação, mas não da civilização, o acharíamos na poesia religiosa; e nos poetas os primeiros legisladores, os primeiros filósofos, os primeiros hierofantes e civilizadores do gênero humano.”
[MAGALHÃES, Domingos José Gonçalves. Factos do Espírito Humano. Ed. Livraria D'
Auguste Fontaine. Paris, 1858; Pág 8]
Acrescento, à um dos primeiros filósofos nacionais, que fora o grande Visconde
do Araguaia, que o princípio da sociedade e da civilização se fez na poesia
religiosa porque de Deus emana a Lei que é sempre justa.
Tudo o que vemos de corrupção das diretrizes da associação e civilização que se
proliferou através, primeiro, dos milênios, depois, dos séculos, das décadas,
dos anos e agora dia a dia, não é mais do que consequência do desvio desse
emanar de Lei justa primordial, logo a poesia deixou de ser religiosa, aquela
que em verdade é a palavra viva, a legislação e, depois, os poetas deixaram de
ser os legisladores.
Não há mais legislação: há corrupção.
Não há mais legisladores: há corruptores.
E qualquer nação, que pretenda deixar este opróbrio e ter a virtude precisa
crer, nem que seja como Sócrates em oposição à Filebo:
“Ora bem: o que Filebo afirma, é que, para todos os seres animados, o bem
consiste no prazer e no deleite, e tudo o mais do mesmo gênero. De nossa parte,
defendemos o princípio de que talvez não seja nada disso, mas que o saber, a
inteligência, a memória e tudo o que lhes for aparentado, como a opinião certa
e o raciocínio verdadeiro, são melhores e de mais valor que o prazer, para
quantos forem capazes de participar deles, e que essa participação é o que há
de mais vantajoso pode haver para os seres em universal, presentes e futuros.”
[SÓCRATES. In (PLATÃO. Filebo.)]
E por este raciocínio verdadeiro certamente se aproximará de uma das mais belas
conclusões socráticas e advertências aos insensatos:
“Soubera ele (Sócrates) que Aristodemo não oferecia aos deuses sacrifícios nem
preces, que não se socorria da adivinhação e até chufeava dos que observam tais
práticas.
— Dize-me, Aristodemo — interpelou-o — haverá homens que admires pelo talento?
— Por certo.
— Nomeia-os.
— Na poesia épica admiro sobretudo Homero, no ditirambo Melanípedes, na
tragédia Sófocles, na estatuária Policleto, na pintura Zêuxis.
— Quais são, a teus olhos, mais dignos de admiração, os artistas que fazem
imagens sem razão e sem movimento ou os artistas que criam seres inteligentes e
animados?
— Por Júpiter! os que criam seres animados, desde que tais seres não sejam obra
do acaso, mas de uma inteligência-
— Das obras sem destinação manifesta e daquelas cuja utilidade é incontestável,
quais consideras como produto do acaso ou de uma inteligência?
— Justo é perfilhar a uma inteligência as obras que tenham fim de utilidade.
— Não te parece então que aquele que, desde que o mundo é mundo, criou os
homens lhes haja dado, para que lhes fossem úteis, cada um dos órgãos por
intermédio dos quais experimentam sensações, olhos para ver o que é visível e
ouvidos para ouvir os sons? De que nos serviriam os odores se não tivéssemos
narículas? Que idéia teríamos do doce, do amargo, de tudo o que agrada ao
paladar, se não existisse a língua para os discernir? Ao demais, não achas
dever olhar-se como ato de previdência que sendo a vista um órgão frágil, seja
munida de pálpebras, que se abrem quando preciso e se fecham durante o sono;
que para proteger a vista contra o vento, estas pálpebras sejam providas de um
crivo de cílios; que os supercílios formem uma goteira por cima dos olhos, de
sorte que o suor que escorra da testa não lhes possa fazer mal; que o ouvido
receba todos os sons sem jamais encher-se; que em todos os animais os dentes da
frente sejam cortantes e os molares aptos a triturar os alimentos que daqueles
recebem; que a boca, destinada a receber o que excita o apetite, esteja
localizada perto dos olhos e das narículas, de passo que as dejeções, que nos
repugnam, têm seus canais afastados o mais possível dos órgãos dos sentidos?
Trepidas em atribuir a uma inteligência ou ao acaso todas essas obras de tão
alta previdência?
— Não, por Júpiter! — respondeu Aristodemo — parece, sem dúvida, tratar-se da
obra de algum artífice sábio e amigo dos seres que respiram.
— E o desejo inspirado às criaturas de se reproduzirem, e o desejo inspirado às
mães de alimentarem o próprio fruto, e neste fruto o maior amor à vida e o mais
profundo temor da morte?
— Evidentemente tudo isso são obras de um ente que decidira existissem animais.
— Crês-te um ser dotado de certa inteligência e negas existir algo inteligente
fora de ti, quando sabes não teres em teu corpo senão uma parcela da vasta
extensão da terra, uma gota da massa das águas, e que tão-somente uma parte
ínfima da imensa quantidade dos elementos, entra na organização do teu corpo?
Pensas haver açambarcado uma inteligência que conseguintemente inexistiria em
qualquer outra parte, e que esses seres infinitos em relação a ti em número e
grandeza sejam mantidos em ordem por força ininteligente?
— Sim, por Júpiter! pois não lhes vejo os autores como vejo os artífices das
nossas obras.
— Tampouco vês tua alma, senhora de teu corpo: de sorte que poderias dizer nada
fazeres com inteligência, mas tudo fazeres ao acaso.
Aristodemo: — Claro, Sócrates, que não desprezo a divindade. Mas creio-a muito
grande para ter necessidade de meu culto.
— Contudo — retorquiu Sócrates — quanto maior for o ente que se digna de
tomar-te sob sua tutela tanto mais lhe deves homenagens.
— Pois olha, se achasse que os deuses se ocupam dos homens, não os
negligenciaria.
— Como! Julgá-lo que não, se, antes de mais nada, só ao homem, dentre todos os
animais, concederam a faculdade de se manter de pé, postura que lhe permite ver
mais longe, contemplar os objetos que lhe ficam acima e melhor guardar-se dos
perigos! Na cabeça colocaram-lhe os olhos, os ouvidos, a boca. E enquanto aos
outros animais davam pés que só lhes permitem mudar de lugar, ao homem
presentearam também com mãos, com o auxílio das quais realizamos a maior parte
dos atos que nos tornam mais felizes que os brutos. Todos os animais têm
língua: a do homem é a única que, tocando as diversas partes da boca, articula
sons e comunica aos outros tudo o que queremos exprimir. Deverei falar dos
prazeres do amor, cuja faculdade,.restrita para todos os outros animais a uma
estação do ano, para nós se estende ininterruptamente até a velhice? Nem se
satisfez a divindade em ocupar-se do corpo do homem, mas, o que é o principal,
deu-lhe a mais perfeita alma. Efetivamente, qual o outro animal cuja alma seja
capaz de reconhecer a existência dos deuses, autores deste conjunto de corpos
imensos e esplêndidos? Que outra espécie além da humana rende culto à
divindade? Qual o animal capaz tanto quanto o homem de premunir-se contra a
fome, a sede, o frio, o calor, curar as doenças, desenvolver as próprias forças
pelo exercício, trabalhar por adquirir a ciência, recordar-se do que viu, ouviu
ou aprendeu? Não te parece evidente que os homens vivem como deuses entre os
outros animais, superiores pela natureza do corpo como da alma? Com o corpo de
um boi e a inteligência de um homem não se estaria em melhor condição que os
seres apercebidos de mãos mas desprovidos de inteligência. Tu, que reúnes essas
duas vantagens tão preciosas, não crês que os deuses se carpem de ti? Que será
preciso então que façam para convencer-te?
— Que me enviem, como dizes que te enviam, avisos sobre que deva ou não fazer.
— Quando falam aos atenienses que os interrogam por meio da adivinhação, julgas
que não falam a ti também? Da mesma forma, quando por prodígios manifestam sua
vontade aos gregos, a todos os homens, serás tu o único esquecido? Pensas que
se não tivessem poder para tanto, os deuses teriam incutido nos homens a crença
de poderem distribuir o bem e o mal, e que os homens, por eles enganados há
tantos séculos ainda não o teriam percebido? Não vês que as instituições
humanas mais antigas e mais sábias — estados e nações — são também as mais
religiosas, que as épocas mais lúcidas são também as de maior piedade? Saiba,
meu caro, que tua alma aposentada em teu corpo, governa-o como lhe apraz.
Mister é acreditar, portanto, tudo dispor a seu grado a inteligência que habita
o universo. Quê! tua vista pode abranger um raio de vários estádios e os olhos
da divindade não poderiam tudo abarcar ao mesmo tempo! Teu espírito pode
ocupar-se simultaneamente do que se passa aqui, no Egito, na Sicília, e a
inteligência da deidade não seria capaz de em tudo pensar a um só tempo! Certo,
se obsequiando os homens, « aprendes a conhecer os que também são suscetíveis
de obsequiar-te; se prestando-lhes serviços, vês os que por seu turno estão
dispostos a retribuir-te; se deliberando com eles, distingues os que são
dotados de prudência: assim também, rendendo homenagem aos deuses, verás até
que ponto estão dispostos a esclarecer os homens sobre o que nos ocultaram,
conhecerás a natureza e a grandeza dessa divindade que tudo pode ver e ouvir
contemporaneamente, estar presente em toda parte e de tudo ocupar-se ao mesmo
tempo.”
[SÓCRATES. In (XENOFONTE. Memorabilia Cap IV.)]
E então, a Nação, vívida em espírito, conhecerá o Caminho, a Verdade e a Vida
para a divindade que “tudo pode ver e ouvir contemporaneamente, estar presente
em toda parte e de tudo ocupar-se ao mesmo tempo” saberá que ela é única e
certamente dirá: CHRIST D'ABORD¹!!!
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¹ Em seu livro "Primeiro Cristo!" Plínio Salgado opõe Christ d'abord (Cristo primeiro) ao consagrado lema de Charles Maurras "politique d'abord" (Política primeiro).
![]() |
| Domingos José Gonçalves Magalhães, o Visconde do Araguaia. (Mais informações sobre a imagem favor me contactar). |
POR CRISTO E PELA PÁTRIA: ANAUÊ!
Lucas Gustavo Boaventura Martins, 20 de Novembro de 2016.
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quarta-feira, 28 de setembro de 2016
Finalidade do Mundo - Farias Brito
Apresento-lhes Finalidade do Mundo, do grande Filósofo Nacional Raymundo de Farias Brito, Tomos 1, 2 e 3 (Completo). Posteriormente, talvez, eu divulgue também antologias destes livros.
Façam uma excelente leitura e estudo, de um dos maiores filósofos espiritualistas certamente do mundo, se não o maior, em sua época e até os dias de hoje.
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quinta-feira, 22 de setembro de 2016
A Verdade como Regra das Ações - Farias Brito
Excelente livro de Farias Brito abordando Filosofia do Direito, o grande Filósofo Nacional que inspirou a reação espiritualista das décadas de 20 e 30 ao materialismo que esfaqueava a Pátria.
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quinta-feira, 16 de junho de 2016
Mensagem da Acção Realista Portuguesa a Sua Majestade El-Rei
Mensagem da Acção
Realista Portuguesa a S.M. El-Rei
Esta
Mensagem que a Ação Realista Portuguesa enviou a El-Rei, num momento indeciso
da Causa Monárquica, é um documento de coragem honesta e desassombrada. Ficará
na história política do nosso tempo como a afirmação energética duma idéia
nacional que tendo como único objetivo o interesse da pátria, não hesita, não quebra,
não emudece, mas segue para a frente, dominadora e irresistível.
Houve
pessoas graves que censuraram o nosso ato, como se nós tivéssemos cometido uma
irreverência. Julgaram-nos rebeldes, insolentes, insensatos. O interesse que
essa Mensagem produziu atemorizou-as... E de ombros encolhidos, num desânimo
taciturno, essas pessoas pacatas foram lamentar-se para o cavaco ameno da
esquina e do serão familiar...
Que
queríamos nós? Que queremos nós?
Que as
palavras do Rei sejam respeitadas e as suas ordens obedecidas. Que a autoridade
do Rei seja restaurada em toda a sua plenitude, de acordo com a Nação livre,
desintoxicada dos venenos liberais e parlamentares.
Que a
Causa Monárquica, como causa nacional, siga a expressão política da revolta e
da vitalidade desperta do país.
Esta
Mensagem ficará a marcar uma época. É um documento que interessa o país porque
revela a luta de idéias para restabelecer o verdadeiro conceito de Soberania e
de Nação. Sinal desse combate de doutrinas, no seu acento firme e energético
podemos auscultar a marcha vitoriosa duma idéia que já hoje se transformou numa
força animadora, numa energia profunda de revolta.
Publicamo-la
num momento decisivo para a Nação. As razões da nossa existência coletiva estão
agora lucidamente projetadas.
A
ditadura atual parece, antes de tudo, um exame de consciência. Mas que esse
exame seja acompanhado pela serena análise da Inteligência, que esclarece e
ilumina.
A
necessidade da Monarquia impõe se ao interesse nacional. Mas os próprios fatos
políticos encarregaram-se de colocar o problema monárquico no seu verdadeiro
prisma. Que Monarquia poderá resgatar Portugal? A democrática, com caciques e
parlamento, com partidos e a anarquia política e econômica? Essa está condenada
e acompanha ao seu túmulo a república parlamentar.
A
Monarquia, que o país espera, é aquela que possa unificar e disciplinar e
construir novos quadros em que se integrem, numa vitalidade fecunda, todas as
forças nacionais, que o parlamentarismo inutiliza e desconhece.
Eis por
que esta Mensagem tem neste momento uma eloquente atualidade.
SENHOR!
Absoluta
e inalteravelmente fiel a Vossa Majestade, a Quem tem servido e a Quem está
servindo, neste momento, com a maior lealdade, a Ação Realista Portuguesa, tendo estudado atentamente todas as
circunstâncias que cercam e caracterizam a situação da Causa que Vossa
Majestade representa, entendeu do seu dever falar a Vossa Majestade, de modo
que todos ouçam, porque o problema interessa profundamente e superiormente à Nação
inteira.
Estão,
neste momento, em jogo, o prestígio e a autoridade de Vossa Majestade.
A Ação Realista Portuguesa que, porque é
realista, tem o culto do princípio da Realeza, vem colocar-se toda unida e
inspirada pelos mesmos sentimentos de devotamento e sacrifício ao lado do Rei,
para que este, na hora torva de lutas inconfessáveis que atravessamos, veja que
não está sozinho, e pelo que nos diz respeito, é mesmo Rei livre e
magnificamente integrado no Interesse nacional.
Nós
batemo-nos por princípios — pelo princípio monárquico na sua máxima pureza e na
sua plena integralidade. E porque Vossa Majestade, tão irrepreensivelmente
representa e consubstancia esse princípio, nós batemo-nos pelo Rei, e aqui
estamos a afirmar-Lhe a nossa incondicional solidariedade, estranhos a quaisquer considerações que não sejam as sagradas e
legítimas considerações do Prestígio da Realeza, da Autoridade do Rei e do
Interesse da Pátria.
As
coisas são o que são, e não o que nós queremos que elas sejam. As realidades
valem mais do que as palavras e do que as afirmações.
Ora a
realidade, a triste realidade, é que a chamada Causa monárquica era apenas uma
tabuleta, um rótulo a abrigar uma mistura inconvertível de monárquicos e de
não-monárquicos. Sob a veste ilusória da Unidade da Causa, viviam os
sentimentos mais opostos, as opiniões mais irredutíveis. Caminhava-se às cegas,
numa noite profunda, para um futuro de trevas. Caminhava-se para uma
restauração, que seria apenas um golpe de audácia a abrir um espaço totalmente
vazio, a iniciar uma era cheia de dúvidas interrogações e mistérios. Ia se
arrastar a Nação para uma aventura envolvida em bruma, da qual ninguém sabia o
que sairia, a não ser esta palavra vaga que nada significa: a Restauração.
Espalhava-se por toda a parte a teoria insensata de se caçar primeiro o urso —
como se a Restauração da Monarquia fosse um incidente desportivo.
Caçar
primeiro o urso... E depois? Depois cairíamos uns sobre os outros, a procura
cada um de nós dos nossos destinos, tratando de descobrir o melhor meio de
salvar a Pátria. Devia ser bonito e edificante o espetáculo! Que se diria do
General em chefe que desencadeasse a batalha, antes de ter elaborado o plano
das operações? Que se diria do cirurgião que abrisse o corpo doente, antes de
saber o que havia de fazer? Caçar primeiro o urso, isto é, destituir o regime
republicano, antes de se saber o em que consistiria a Monarquia proclamada, era
atirar o país para um abismo sem fundo.
Essa
situação, conveniente aos que são monárquicos por birra ou por
incompatibilidade com os republicanos, era irremediavelmente nefasta à Nação e
a Vossa Majestade. Nós não somos monárquicos por despeito, nem por
incompatibilidade com os republicanos. Nós somos monárquicos, porque o
interesse nacional impõe a Realeza, porque esta serve, como nenhuma outra forma
de governo o interesse da Nação. Nós somos monárquicos, porque, enquanto a República
é o regime dos partidos, a Monarquia é o regime da Nação. Por isso nós nunca
vimos com prazer essa situação da chamada Causa monárquica que vivia
consagrando oficialmente o princípio perigoso da ausência legítima de idéias,
quanto ao futuro da Monarquia.
Vossa
Majestade, na compreensão magnífica das suas altíssimas funções, na consciência
plena das suas responsabilidades perante a história, no propósito evidente de
afirmar a sua vontade e na decisão admirável de nos conduzir, reconheceu o
perigo da situação, viu o cataclismo para que se caminhava, a aventura
misteriosa que se nos abria diante dos pés, e falou as palavras audazes e
fortes, não como Rei Constitucional, simples chancela de leis e decretos,
simples figurante inerte duma comparsaria inútil— mas como Rei livre, cônscio
do seu dever, senhor de suas ações, e Chefe, não de um Estado inorgânico, mas
de uma Nação hierarquizada.
Falou,
e todos nós O ouvimos.
No
campo republicano, foi o clamor estrepitante de cólera. No campo monárquico,
houve imediatamente, a par de aplauso febril e entusiasta de uns, a reserva, a
frieza, a dúvida, o espanto, o mau humor de outros.
Todos
aqueles que anseiam por uma Monarquia integralmente católica, integralmente monárquica,
e integralmente nacionalista, aplaudiram calorosamente as palavras de Vossa
Majestade. Todo esses aclamaram o Rei, porque sentiram que a mão de Vossa
Majestade os conduzia à vitória. Mas aqueles que, envenenados pelo liberalismo
corruptor e desorganizador, sonham ainda a Monarquia da Igreja serventuária do
Estado, e elemento de galopinagem eleitoral, a Monarquia do Rei servo dos
partidos e das facções e das conjuras dos corredores parlamentares, alvo
preciso das objurgatórias insolentes dos tribunos do Parlamento, a Monarquia
inspirada ocultamente pelo Maçonismo internacionalista — esses começaram logo
por exigir que as palavras de Vossa Majestade não viessem todas a público, e
que o Pensamento de Vossa Majestade fosse amputado ou disfarçado.
Porque
o exigiram, Senhor!
E
exigiram-no, ameaçando! Exigiram-no, impondo a sua influência de caciques ou a
sua bolsa de argentários! Exigiram-no faltando ao respeito ao Rei, censurando o
Pensamento do Rei, permitindo-se a louca suposição de que interpretam melhor o
interesse nacional, do que Vossa Majestade!
O Lugar-Tenente
de Vossa Majestade, que tão admiravelmente cumpriu nesta conjuntura, sem traís,
o Pensamento do seu Rei, sem desobedecer às instruções que Vossa Majestade lhe
dava, fez quanto possível por acalmar as impertinências revoltantes dos que
assim procediam, e suprimiu da Mensagem de Vossa Majestade duas ou três
expressões mais características, que os partidários do Liberalismo consideravam
ofensivas da sua sensibilidade.
Perante
esse fato, a Ação Realista Portuguesa
protestou junto do Lugar-Tenente de Vossa Majestade, sendo informada, nesse
momento, dos seus propósitos de publicar um artigo interpretativo do Pensamento
Régio, o que efetivamente fez, e no qual afirmava às gerações novas de Portugal
que a Monarquia que El-Rei preconizava, era a Monarquia dos seus sonhos.
O órgão
oficioso da Causa Monárquica manteve o mais absoluto silêncio, quer em relação
à Mensagem de Vossa Majestade, quer em relação ao artigo do Lugar-Tenente. De
jornais republicanos, caíam sobre Vossa Majestade críticas, censuras e calúnias.
E o órgão oficioso da Causa monárquica não tinha uma palavra em defesa de
El-Rei, nem uma letra, nem uma vírgula! Jornais monárquicos deturpavam
claramente o Pensamento de Vossa Majestade. E o órgão oficioso da Causa — mudo
e quedo.
Diante
desse espetáculo degradante, a Ação
Realista Portuguesa declarou ao Lugar-Tenente de Vossa Majestade, que ou a
situação se modificava ou ela abandonava os seus lugares no Conselho Político.
O Lugar-Tenente de Vossa Majestade abriu então as colunas do Correio da Manhã á colaboração da Ação Realista, para a defesa e
comentário da Mensagem de Vossa Majestade confirmando o verdadeiro pensamento
de El-Rei. Ante as declarações e instruções peremptórias do Lugar-Tenente,
convocou-se a reunião extraordinária do Conselho Político, para que ele tomasse
conhecimento daquilo a que se chamava a «nova orientação da Causa monárquica»,
encarrega-se mesmo o leader da Câmara
dos Deputados de participar aos seus parlamentares essa «nova orientação.»
Entretanto
a Ação Realista Portuguesa publicava
no Correio da Manhã, e sob a sanção
do Lugar-Tenente de Vossa Majestade, três artigs defendendo El-Rei, e exaltando
a sua Mensagem. Esses três artigos eram uma espécie de prefácio à série
projetada, e autorizada por Quem de direito, de comentário minucioso a cada um
dos passos fundamentais da Mensagem de 27 de Fevereiro.
O fato
de o Correio da Manhã estar
publicando artigos em defesa de Vossa Majestade despertou mais ainda os
arraiais monárquicos. E surge a reunião extraordinária do Conselho Político,
convocada para que este tomasse conhecimento da «nova orientação» da Causa
Monárquica.
Porque
cumpre, Senhor, nunca esquecer que o Conselho Político foi convocado
extraordinariamente para tomar conhecimento daquilo a que se chamava a «nova
orientação» da Causa Monárquica, tal como a definira o Lugar-Tenente de Vossa
Majestade, nas instruções que dava para que a Ação Realista defendesse e comentasse a Mensagem régia, e nas
expressões que empregara na sessão da Comissão Executiva de que saiu o pedido
de convocação do referido Conselho. A Ação
Realista constatou, logo de entrada, porém, que se fora convocado para
tomar conhecimento da «nova orientação» da Causa Monárquica, o Conselho estava
reunido para fins muito diversos dos que tinham provocado o pedido de
convocação.
A Ação Realista viu que a maioria do
Conselho era constituída, não por monárquicos que sabem o que seja ser
monárquico, mas por monárquicos deficientes que entendem que o Rei deve
obedecer aos seus caprichos, às suas impertinências, às suas vaidades e aos
seus interesses! A Acção Realista
ouviu expressões e conceitos que a habilitam a dizer a Vossa Majestade, com dor
e franqueza, que com aqueles monárquicos, antes o exílio com as negras saudades
da Pátria, para que não lhe aconteça, Senhor, vir encontrar na Pátria
amarguíssimas saudades do exílio...
A Ação Realista, inteiramente disciplinada
em volta do Rei, fazendo muralha em redor de Vossa Majestade, absolutamente
integrada no espírito da Mensagem de 27 de Fevereiro, e fielmente obediente ao
Pensamento que essa Mensagem traduz, não quere ser solidária, Senhor, e não o é
com a decisão grave do Conselho Superior da Política monárquica de 27 de Março,
constante do número 2 da moção lá aprovada, porque essa decisão, além de
constituir a reprovação da atitude do Lugar-Tenente efetivo de Vossa Majestade,
traduz insofismavelmente o repúdio do Pensamento de El-Rei, e da doutrina da
Sua Mensagem.
Sob a
redação, aparentemente inofensiva, desse número 2 da moção que proclama a «mais
estrita neutralidade do órgão oficioso da Causa em relação à doutrina de cada
uma» das correntes doutrinárias nela existentes, está a punhalada covarde, com
que o Liberalismo da Causa Monárquica feriu a magnífica Mensagem de El-Rei.
Todo o
Prestígio de Vossa Majestade se afunda, sob as palavras dessa resolução. Toda a
Autoridade Pessoal e Real de Vossa majestade é desfeiteada pelos propósitos,
que animaram essa resolução.
A Ação Realista Portuguesa tentou evitar o
escândalo e o ultrage. Chamou a atenção do Conselho para o que significava
aquela reolução arbitrária.
Propôs
que se adiassem os trabalhos do Conselho para quando estivesse presente o
Lugar-Tenente efetivo. Tudo foi vão. O Liberalismo monárquico estava com
pressa. Parecia que a sua preocupação consistia em dar satisfação às
reclamações dos órgãos republicanos, e aos apetites dos galopins de eleições.
Não
hesitou, portanto, em levar a sua avante, contra as observações e o voto da Ação Realista Portuguesa.
Nessa
memorável e tristíssima sessão do Conselho Político, de 27 de março, só a Ação Realista Portuguesa votou por
El-Rei, só ela foi fiel a El-Rei, só ela se manteve obediente ao Pensamento e à
Doutrina de El-Rei. Tudo o mais prestou homenagem a princípios revolucionários
que o maçonismo protege e de que a República é a consagração oficial. Nestas
condições, a Causa monárquica, Senhor, é apenas Vossa Majestade, com a sua
Mensagem de 27 de Fevereiro, tal como foi lida, com o seu Pensamento, tal como
foi nela formulado, com as suas Aspirações, tal como estão nela definidas, e a Ação Realista Portuguesa, como todos os
monárquicos absolutamente integrados no Pensamento, na Doutrina e nas
Aspirações de Vossa Majestade. Entre Vossa Majestade e a Ação Realista Portuguesa, só há a distância que vai do Rei aos
súditos e do Chefe aos soldados. De resto somos, pelo Pensamento, pela Doutrina
e pelas Aspirações, um só Espírito e uma só Vontade. O que Vossa Majestade
pensa, pensamo-lo nós; o que vossa Majestade quere é o que nós queremos!
E,
porque assim é, aqui estamos, Senhor, a denunciar a mentira da chamada Causa
Monárquica, não em segredo, ao ouvido de Vossa Majestade, como se praticássemos
um ato censurável, mas diante do país inteiro, para que o país inteiro julgue
os acontecimentos, e faça inteira justiça ao altíssimo critério de Vossa
Majestade. Nesta atitude desassombrada de dedicação incondicional a Vossa
Majestade, nós prestamos um inegável serviço à Nação, porque desmascaramos
aqueles que, à sombra de Vossa Majestade, andavam tecendo uma nova obra de
discórdia e desgraça.
Rompemos
com esta franqueza e esta clareza, as hostilidades, desligamo-nos, por
completo, de qualquer cooperação com o Conselho Político da Causa, prescindimos
da colaboração que nos foi oferecida no Correio
da Manhã, pois no-la condicionavam, não nos deixando exaltar e comentar a
Mensagem de Vossa Majestade, — porque não somos solidários com adversários de
El-Rei, com aqueles que querem sobrepôr-se ao Rei, e pretendem que Vossa
Majestade seja um frágil manequim nas suas mãos e sirva suas ambições.
Com
monárquicos que ainda estão na fase primitiva e caquética do Rei primeiro
funcionário público de seu país, do Rei poder moderador, e quejandas
sensaborias mofosas, e que ainda por cima se permitem o desejo de tutelar
El-Rei, de julgar o Seu Pensamento, e de opôr reservas à Sua Doutrina — não,
não e não!
Sós com
El-Rei, ficamos muito bem. Se ficássemos com eles, ficávamos muito mal!
Pretendem
eles justificar a sua atitude, afirmando que o Rei é Rei de todos os
monárquicos, e não pode e não deve, portanto, ter idéias e doutrinas, pois que
as doutrinas e idéias dos monárquicos de que é Rei, não são uniformes.
Argumento infantil, para não lhe chamarmos pior, e que revela bem os estragos
que, na inteligência, fez o cancro liberalista. Se o argumento fosse de
receber, Vossa Majestade nem monárquico devia ou podia ser. Se Vossa Majestade
é Rei de todos os portugueses, e se nos portugueses há, pelo menos, monárquicos
e republicanos, Vossa Majestade, não pode ser monárquico, porque é colocar-Se
contra os republicanos. Mas, se Vossa Majestade pode ser Monárquico, sem que
isso o iniba de ser Rei de todos os portugueses, porque não há de Vossa
Majestade poder ser o Rei, que a sua Mensagem revela, sem que isso o impeça de
ser Rei de todos os monárquicos?
Ah!
Senhor! Temos a impressão de que essa Monarquia Liberalista, que abriu os
túmulos, que encerram os cadáveres de El-Rei D. Carlos e do Príncipe Real, e
levou Vossa Majestade para o exílio, não aprendeu nada com estes quinze anos de
calvário republicano. É ainda a mesma, com as suas ameaças, com as suas
conjuras, com as suas vaidades tolas e com as suas inépcias vaidosas.
Mais do
que nunca, nós sentimos o orgulho forte de nada querermos com ela. E aos
homens, que querem restaurá-la sob qualquer disfarce que nos exibam, nós
consideramo-los tão adversários de Vossa Majestade como os partidários do
regime republicano.
Porque
se, até 27 de Fevereiro, a Causa Monárquica, pela ausência duma Doutrina e de
um Pensamento, era uma entidade amorfa, gelatinosa, capaz de todas as
formas, desde o dia 27 de Fevereiro
passou a ser alto de mais alto, de mais belo, de mais fecundo e de mais altivo:
passou a ser uma idéia. Da palavra vã — Monarquia, passou a ser a expressão
viva e vigorosa — Monarquia Nova, Católica, Tradicionalista.
Antes
de 27 de Fevereiro, a pergunta de todas as bocas — que quere a Monarquia? Só
era lícita uma resposta: o Poder. Depois de 27 de Fevereiro, essa pergunta só
uma resposta comporta: salvar a Nação!
E Vossa
Majestade, que tão profundamente alterou a situação da Causa Monárquica,
transformando-a duma coisa apática e antipática num organismo cheio de vida e
de futuro, em vez de encontrar à sua volta, numa aclamação unânime, todos os
monárquicos, — que vê, Senhor?
Vê nos
a nós, rodeando-O e aplaudindo-O e vê os representantes do Liberalismo, os
defensores do Constitucionalismo, erguidos contra Vossa Majestade tentando,
primeiro, ocultar o seu Pensamento, procurando, depois desvirtuá-lo, e, por
fim, chegando ao cúmulo de o condenar.
Não! Senhor!
Nós somos contra o Conselho Político — e por Vossa Majestade! Nós somos contra
o Liberalismo Monárquico — e por Vossa Majestade! Nós somos contra os
influentes eleitorais — e por Vossa Majestade! Nós somos contra os censores do
Pensamento de El-Rei e por Vossa Majestade! Nós somos contra tudo que cerceie o
livre procedimento de Vossa Majestade e embarace o seu Pensamento, e desvirtue
a sua Doutrina e abafe a sua Mensagem de 27 de Fevereiro — porque somos por
El-Rei Livre —livre como Rei e livre como Chefe!
Essa
Mensagem, Senhor, é a Carta de Alforria do Pensamento Monárquico. Vivia este
escravizado a fórmulas, a mentiras, a preconceitos, a superstições e
habilidades. A medo se manifestava. Hesitante se afirmava. Mas Vossa Majestade,
com a sua Mensagem, quebrou as cadeias, que prendiam, ergueu-o do ergástulo
nefando em que ele jazia, trouxe-o para a luz do sol, para o ar vivificador, e
para Vida, e para a Luta, e disse-lhe, com a Sua suprema autoridade de Rei:
caminha!
E hoje,
Senhor, o Pensamento Monárquico, livre, segue o seu caminho, impetuosamente,
devastadoramente, como a corrente avassaladora dos grandes rios. Nada o deterá
já, Senhor, nada! O Pensamento Monárquico, liberto pelas mãos augustas de Vossa
Majestade, segue avante à conquista do futuro. É o Pensamento de Vossa
Majestade que o ampara; é a Mensagem de Vossa Majestade que lhe serve de
estandarte animador...
E
agora?
O
Lugar-Tenente de Vossa Majestade o disse: — «é andar para diante. O caminho
está traçado.»
Abrindo
os braços a todos os que respeitem o Pensamento de Vossa Majestade, e nele se
integrem, venham donde vierem — encaremos o futuro. Percamos o amor aos Inúteis
e aos Cadáveres. Deixemos ficar os primeiros na contemplação espasmódica da sua
própria sombra, arrumemos os segundos à beira da estrada, para que neles não
tropecem as gerações que chegam, ansiosos de vida e de vitória. Desembaraçado
de uns de outros, Vossa Majestade tem toda a força para realizar a Unidade
Integral da Monarquia, proclamando sua Alteza Real o Senhor D. Duarte Nuno,
Herdeiro Presuntivo da Coroa, encerrando dess'arte, o ciclo de desarmonia que o
século dezenove abriu. Bem sabemos nós quão intimamente e sinceramente Vossa
Majestade deseja a concórdia dinástica, e quão incansavelmente se tem dedicado
a cimentá-la em bases indestrutíveis.
Realizada a Unidade Dinástica, a Unidade Monárquica é uma realidade
insofismável, porque o Pensamento de Vossa Majestade é a síntese perfeita das
aspirações nacionalistas de Portugal.
Condenando
a Democracia, confirmando a falência do Sistema Parlamentar, baseado no
Sufrágio Universal e no voto político, manifestando que só o escrúpulo da sua
consciência de católico prende Vossa Majestade à Carta Constitucional,
dirigindo-se aos Novos, cujas aspirações Vossa Majestade muito bem conhece, e
precisando as bases da Monarquia futura, Vossa Majestade oferece-nos, em
substituição da Monarquia falsificada, da Monarquia republicana, da Monarquia
de origem estrangeira do regime liberal — a pura Monarquia portuguesa, a
Monarquia Nova, Católica, Tradicionalista, a Monarquia dos Municípios e dos
Sindicatos, das liberdades corporativas e das franquias locais — quer dizer, a
Monarquia orgânica, antiparlamentar, autoritária, do poder Pessoal do Rei e das
Cortes Gerais Tradicionais da Nação.
E para essa
Monarquia, Senhor, em que Rei reina e governa como, em sete séculos da história
de Portugal, reinaram e governaram os Reis de Portugal, para essa Monarquia
isenta do Pecado Liberal, fonte da anarquia em que o País hoje se debate, para
essa Monarquia que Vossa Majestade preconiza, e que constitui o seu ideal de
Rei — para essa Monarquia, Senhor, as gerações novas caminham, certas dos seus
passos, e firmes na sua resolução, obedecendo à voz dos Antepassados, e
honrando a memória dos que, nestes quinze anos, tem caído na luta em sacrifício
generoso.
Há que
resgatar Portugal do cativeiro, libertando-o do poder do Demônio, e
restituindo-o ao poder de Deus, salvando-o da tirania bruta do Número, e
entregando-o à direção responsável das Competências. Ninguém melhor do que
Vossa Majestade conhece e interpreta o Interesse Nacional. As suas palavras, as
palavras da sua Mensagem de 27 de Fevereiro, são a chave do nosso futuro, e a
voz de comando da nossa batalha. Portanto, será Vossa Majestade quem nos
conduzirá a essa hora bendita do resgate de Portugal.
A Ação Realista Portuguesa fez-se para
servir o Rei e para lutar. Não é um partido que aspira o poder, que a era dos
partidos políticos passou. É uma das expressões da grande corrente doutrinária,
que empolgou a inteligência moça de Portugal, e a salvou dos erros negativistas
e dos preconceitos revolucionários das gerações que as precederam.
Ela
fez-se para servir o Rei e para lutar. Temos servido Vossa Majestade, conforme
temos podido e temos sabido, sem uma deslealdade, sem um esmorecimento da nossa
fé. E temos lutado incansavelmente, mais, as vezes, do que podemos.
É ainda
para servir Vossa Majestade que aqui estamos a falar-Lhe sem palavras obscuras,
sem pensamentos reservados. E é para lutar que nos declaramos unidos à volta de
Vossa Majestade.
Cremos
em Deus. Cremos no Rei. Cremos na Pátria. Mas em Deus livre, no Rei livre, na
Pátria livre.
Com a
ajuda de Deus, venceremos. Porque temos fé em que Deus não queira o sacrifício
eterno de Portugal. Venceremos, contra todos os inimigos do Bem Comum, contra
todos os adversários do Interesse nacional, porque a volta do Rei, obedecendo
ao Rei, servindo o Rei, nós servimos Deus e servimos a Pátria!
Neste
dia, Senhor, ao repicar festivo dos sinos, ao esvoaçar leve e branco das
pombas, ao cair doce das rosas, ao cantar argentino das vozes inocentes, caem
os véus roxos dos altares, enchem-se de vagas de luz as naves dos templos, as
mãos erguem-se fervorosas, numa prece, para os Céus, os olhos enchem-se de
alegria, de lágrimas abençoadas, e todo o orbe católico brada:
—
Aleluia! Aleluia!
Depois
do pesadelo da Penitência, da Paixão e do Sacrifício é a Vida que recomeça
entra cânticos e flores.
Que nos
seja propício este dia, Senhor! Que ele proteja as nossas palavras! que Vossa
Majestade, reconhecendo as intenções puríssimas do nosso Ato, não oponha
dúvidas ao oferecimento do nosso serviço! Porque, na hora máxima do sacrifício,
e da hora sem igual do exercício da Vontade Real, Vossa Majestade só encontrará
ao Seu lado aqueles que, como nós, entendem que só conduzem à vitória os Chefes
a quem se obedece, e não os Chefes que se discutem.
E
agora, Senhor, para glória de Portugal, aqui estamos, lealmente e fielmente às
ordens de Vossa Majestade que é o nosso Rei e o nosso Chefe, nós que somos seus
soldados obedientes e disciplinados!
Beijamos muito respeitosamente as mãos de Vossa Majestade.
Sábado de Aleluia, 3 de Abril de 1926
PELA AÇÃO REALISTA
PORTUGUESA
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Fonte:
Revista Acção Realista Portuguesa, Nº 32 — 4 Da 3º Série; ANO III, Outubro de
1926.
Autor
não especificado, fala-se em nome do movimento, assina a Acção Realista
Portuguesa.
Diretor
Interino da Revista: João Ameal.
Digitalização:
Lucas Gustavo Boaventura Martins.
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Por Cristo e pela nossa amada terra de Vera Cruz: Anauê!
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terça-feira, 31 de maio de 2016
O Mundo Interior - Farias Brito
O Mundo Interior: Ensaio sobre os dados gerais da filosofia do espírito.
Por Farias Brito.
Importantíssima obra de Raymundo de Farias Brito, grande filósofo brasileiro que nos outorgou o dever de sobrepor o material pelo espiritual.
Por Farias Brito.
Importantíssima obra de Raymundo de Farias Brito, grande filósofo brasileiro que nos outorgou o dever de sobrepor o material pelo espiritual.
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Por Cristo e pela Pátria: Anauê!
quarta-feira, 25 de maio de 2016
A Base Física do Espírito - Raimundo De Farias Brito
Farias Brito fora um grande filósofo Nacional, seus estudos sobre direito e filosofia influenciaram grandemente a formação do que eu, particularmente chamo de “Atlantistas puros”, que englobam principalmente os grandes pensadores Integralistas e Católicos da década de 30, Plínio Salgado, Gustavo Barroso, Miguel Reale, Anor Butler Maciel, Jackson de Figueiredo entre outros... a escola de Direito de São Paulo era, em quase sua totalidade Integralista, e Farias Brito fora o grande precursor da rejeição do materialismo em favor do espiritualismo no Brasil.
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
A Lição de Farias Brito, por Jackson De Figueiredo
A Lição de Farias Brito, por Jackson De Figueiredo
Já tendo tratado de Farias Brito aqui, torno novamente a mencioná-lo, ele que é um desses vultos nacionais, responsável pela ronda da pátria, como dizia Gerardo Mello Mourão.
Agora apresento a sua Lição, segundo o grande patrício brasileiro de espírito eminentemente revolucionário e cristão, o ilustre Jackson De Figueiredo.
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Agora apresento a sua Lição, segundo o grande patrício brasileiro de espírito eminentemente revolucionário e cristão, o ilustre Jackson De Figueiredo.
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“FAZ amanhã cinco anos que morreu Farias Brito, o homem á sombra de cujo sofrimento e imensa resignação fortaleceu-se a minha fé no mundo do espírito, e de quem, no entanto, só me distanciei, até hoje, para entrar definitivamente nos umbrais da Igreja, e ajoelhar-me ante o altar d'Aquele que é a própria Sabedoria, a Verdade mesma.
Será por isto que, mais consciente da minha própria pequenez, cada vez amo e venero mais a memória de quem foi, sem o saber mesmo, uma alta expressão do espírito cristão — gravidade, doçura, profundeza — desse espírito que modelou as nobres raças que são as senhoras do mundo, e jamais se deixará vencer, e jamais consentirá que se apague o seu brilho da fonte augusta dos povos que redimiu.
A saudade com que escrevo estas linhas, não me empresta tintas com que disfarce o que foi erro em sua vida de pensador. Nem quero mesmo falar dos seus últimos tristes, mas abençoados dias, em que viu fazer-se nova luz em seu espírito, e teve a nítida, se bem que rápida visão, logo interrompida pela morte, de que só do alto da Cruz jorra a divina claridade, que ilumina as consciências e leva paz aos corações... Não. Não preciso lançar mão desses dados de sua tão melancólica quão edificante história, do tempo em que, tão próxima já, eram a morte e, com a morte, a vida eterna, as suas duas uicas, exclusivas preocupações.
Também durante os longos anos de seu duro aprendizado não fora "Farias Brito, neste recanto do mundo, que é o Brasil, do ponto de vista intelectual, senão um batalhador de ânimo cristão, servidor da Igreja, ignorando, ele próprio, entretanto, o que havia de mais alto e mais sagrado em sua missão.
Foram os seus primeiros livros, em verdade, o primeiro protesto da consciência nacional contra o fetichismo positivista, arvorado em doutrina oficial de uma sociedade que ameaçava apodrecer sobre um chão enodoado de ridículo e de sangue.
E, de boa fé, não há negar que, á sua decisão em desprezar todo respeito humano, e lançar-se na elaboração de um sistema francamente espiritualista, se deve este movimento de recristianização da nossa intelectualidade, tão visível nas novas gerações, apesar do ateísmo das escolas, e por mais que o queiram desconhecer os cegos de um ou de dois olhos, sobreviventes do reles diletantismo que toda a gloria do pensamento das gerações amadurecidas ao sol de 9...
Esta é a maior glória de Farias Brito, glória que só lhe poderão negar zoilos e cabotinos, incapazes de medir forças com obra tão formidável como a sua: o ter sido sempre, ora como crítico, ora esforçando-se por elaborar uma doutrina nova, e sem mesmo ter clara noção disto, uma força de consciência a serviço da natural religiosidade de nosso povo, um interprete das nossas crenças, como lhe chamou Xavier Marques.
Farias Brito está no rol daqueles racionalistas de que falava D. Benoit com simpatia e enternecimento... "qu'on est convenu de designer sous le nom de "spiritualistes"', que ne tient pas les consequences de leurs príncipes. ..", isto é, que, vítimas somente do individualismo, que se fez o que a Igreja chama de erro invencível, não tem a coragem cínica de ser, na parte prática das suas doutrinas, consequentes com o terriel princípio gerador de todas elas: o meu eu é tudo.. . e tudo o mais é sombra do meu eu.. .
Eis por que ele foi o nosso primeiro grande reacionário contra o ateísmo inferior que, nos domínios mesmo da nossa vida social e política, se implantara e tudo lentamente apodrecia, caracteres e inteligencias, leis e costumes. Ele foi quem primeiro compreendeu, entre nós, o que Georges Fonsegrive viria a dar depois á própria França como resumo das doutrinas de um dos seus grandes pensadores modernos, E. Boutroux:
"Não existe doutrina mais debilitante que aquela que nos afirma que a nossa vida nada acrescenta ás vidas do passado, e que o mundo gira invariavelmente num círculo eterno, como a serpente que morde a própria cauda. Ora, o mundo da realidade é o mundo da história (e não o da ideologia determinista), onde tudo é novo, incessantemente; é o mundo onde reina a liberdade!"
Eu poderia citar palavras quase idênticas daquele pobre grande brasileiro, que não teve, em vida, maior amparo que o que lhe dava a solidão. . .
E tanto foi assim um reacionário contra a desordem e a anarquia com que o cientificismo de baixa estirpe tanto diminuiu a consciência brasileira que, ainda o conselheiro Ruy Barbosa nem sonhava que poderia assombrar-se um dia com o fantasma da Revolução, e já, incerto, é bem verdade, do que aceitar e indicar como meio de resolver a crise moral da nossa coletividade, apontava Farias Brito como causa mais próxima do nosso mal, assim como do mal do mundo inteiro, a falta de fé religiosa, o monstruoso materialismo que falseia todas as leis, no que elas pretendem ter de humanitárias e de justas, dado que, logicamente, só um princípio regerá os destinos de uma sociedade em que o materialismo predomine: o interesse. “E — dizia ele — nesta confusão assombrosa, se o interesse torna-se o único critério das ações, e a corrupção, feita avalanche, tudo envolve em suas manobras insaciáveis, o que unicamente importa para cada um, é vencer. Vença, pois, quem puder é o conselho da experiencia neste verdadeiro naufrágio da humanidade.”
Protestou a sua alma, até o fim, contra semelhante monstruosidade e teve, naqueles temerosos dias da guerra, como que a confirmação de que já o mal era irremediável...
Morreu talvez com essa tristeza enorme no coração, se bem que também certo de que alguma coisa de imorredouro e de invencível acena a todos os homens dos braços da Cruz.
E nesta certeza se abrigava, de fato, em sua alma, a verdade que não morre.
A reação contra o individualismo revolucionário já se faz ver, por toda a parte, com mais força de que fora possível imaginar, após o longo e tenebroso período da conflagração mundial.
Este, aquele povo, menos experiente e mais facilmente explorável, afundar-se-á, debater-se-á, morrerá talvez no mar sangrento da Revolução. Mas a humanidade há de salvar-se, por fim, porque as portas do Inferno não prevalecerão contra a Igreja, e esta será sempre a eterna acolhedora, em cujo seio depôs Deus o segredo da ordem e da justiça.”
Jackson De Figueiredo - 15/01/1922
[FIGUEIREDO, Jackson De. A Reação do Bom Senso. Ed: Anuário do Brasil, Rio de Janeiro, 1923; Pág's 101-105]
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segunda-feira, 5 de outubro de 2015
Breve abordagem em Farias Brito
Raymundo de Farias Brito nasceu a 24/07/1862 em São Benedito, Ceará, e faleceu a 16/01/1917, no Rio de Janeiro.
Fora, certamente um dos maiores filósofos brasileiros, tanto que grandes homens do pensamento brasileiro puseram-se a escrever e a compreender suas palavras que, eu, hoje, mesmo perante a negação dele próprio, vejo inspirações de uma metafísica superior, divina, que não são segundo ele “vertigem da consciência mesma” [1].
Parte de sua bibliografia fora reeditada e republicada pelo Senado Federal: A verdade como regra das ações e A base física do Espírito, ambos os livros essenciais para entender seu pensamento.
Deixarei aqui, exposto um pouco, bem pouco, dessa bibliografia, mas, reitero, a perfeita compreensão de seu pensamento exige que se saia desses breves escritos.
Por Cristo e pela Nação: Anauê!
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[1] : Vide Página 21 de A Verdade como Regra das Ações, Edições do Senado Federal, Vol 51.
Fora, certamente um dos maiores filósofos brasileiros, tanto que grandes homens do pensamento brasileiro puseram-se a escrever e a compreender suas palavras que, eu, hoje, mesmo perante a negação dele próprio, vejo inspirações de uma metafísica superior, divina, que não são segundo ele “vertigem da consciência mesma” [1].
Parte de sua bibliografia fora reeditada e republicada pelo Senado Federal: A verdade como regra das ações e A base física do Espírito, ambos os livros essenciais para entender seu pensamento.
Deixarei aqui, exposto um pouco, bem pouco, dessa bibliografia, mas, reitero, a perfeita compreensão de seu pensamento exige que se saia desses breves escritos.
“A filosofia se confunde com a religião. A religião, de fato, é a filosofia mesma, considerada em sua função prática. Isto facilmente se compreende, considerando que toda a religião é uma comunidade de princípios, uma comunhão de idéias. Diversos indivíduos que se sentem unificados por uma convicção comum, são naturalmente levados a formar uma agremiação, sentindo-se bem, pela formação desse corpo harmônico, na unidade da mesma crença e do mesmo ideal: é o que se chama religião. Quer dizer: a religião é a filosofia mesma passando do mundo das abstrações para o mundo da realidade, do pensamento para a vida; é a filosofia deduzindo leis da conduta e organizando, espontaneamente e sem coação, a sociedade, só pelo acordo das convicções; numa palavra: a religião é a moral organizada.”[BRITO, Farias. A Verdade como Regra das Ações. Edições do Senado Federal, Vol. 51; Brasília, 2005; Pág 16.]
“Viver conforme a moral é viver conforme a razão, isto é, conforme os princípios que a razão estabelece. São precisamente estes princípios que constituem o ideal da conduta. Eles se resolvem em regras de ação e são as leis da ordem moral que se objetivam nos costumes e são transmitidas de geração em geração, sob a forma de preceitos e máximas, de prescrições que devem ser observadas em todas as relações da vida.”[BRITO, Farias. A Verdade como Regra das Ações. Edições do Senado Federal, Vol. 51; Brasília, 2005; Pág's 20-21.]
Por Cristo e pela Nação: Anauê!
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[1] : Vide Página 21 de A Verdade como Regra das Ações, Edições do Senado Federal, Vol 51.
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